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Brasil: imposto sobre fortunas entra em debate na Câmara, mas é rejeitado por Guedes

© Folhapress / Pedro LadeiraEm Brasília, o ministro da Economia, Paulo Guedes, gesticula durante coletiva sobre a prorrogação do auxílio emergencial oferecido pelo governo federal durante a pandemia, no Palácio da Alvorada, em 1º de setembro de 2020.
Em Brasília, o ministro da Economia, Paulo Guedes, gesticula durante coletiva sobre a prorrogação do auxílio emergencial oferecido pelo governo federal durante a pandemia, no Palácio da Alvorada, em 1º de setembro de 2020. - Sputnik Brasil
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A Receita Federal apresentou à Câmara críticas à proposta de criar um imposto sobre grandes fortunas. A ideia defendida por parlamentares sofre rejeição do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Por meio de um documento enviado ao Congresso, a Receita disse que não descarta um eventual debate sobre tributação para reduzir a desigualdade social no país, mas afirma que há medidas mais eficientes, como acabar com programas de Refis (parcelamento de dívidas com a União com descontos), taxar a distribuição de lucros e dividendos e mudar tributação sobre o mercado de capitais. As informações são da Folha de São Paulo.

O fisco sustenta que há dificuldades sobre como estabelecer um critério definido para fortunas, como mensurar a riqueza, ou até mesmo o patrimônio de cada um. Como exemplo, citou obras de arte e direitos autorais.

A Receita entende que o sistema não seria objetivo, sendo alvo fácil de trapaças e fraudes. O fisco cita que o imposto sobre grandes fortunas chegou a ser adotado por alguns países e, depois, foi abandonado.

A avaliação de Paulo Guedes, segundo a publicação, segue a mesma linha: a de que o tributo poderia gerar fuga de investidores. Segundo ele, a proposta forçaria o capital a ir para países onde não há a taxação, reduzindo a oportunidade de novos negócios e empregos.

Do outro lado da discussão, pressionado por partidos de esquerda, o relator da reforma tributária, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), já indicou que deve incluir a discussão em 2021. A Câmara discute desde 2019 um projeto para reformular o sistema tributário nacional. Não obstante, essa sempre foi uma das promessas do ministro da Economia.

O governo tem participado de reuniões técnicas com a equipe de Ribeiro, mas as negociações políticas têm se sobressaído para a elaboração do relatório da reforma tributária, que só deve ser apresentado quando houver amplo apoio de partidos.

© Foto / Agência Brasil/ Fabio Rodrigues PozzebomMinistro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, debatendo a reforma da Previdência
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Ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, debatendo a reforma da Previdência

O que há de proposta no Congresso

Partidos da oposição apresentaram uma proposta de tributação sobre renda e patrimônio para substituir o texto de reforma tributária que é discutido no Congresso. O documento, de deputados do PSB, Rede, PCdoB, PT, PDT e PSOL, se baseou em uma iniciativa de economistas e sindicatos de auditores fiscais da Receita, chamada "Tributar os super-ricos para reconstruir o país".

O grupo produziu estudos e elaborou o texto da proposta. Além de ações como novas faixas do imposto de renda, aumento da tributação sobre lucro e mudança na cobrança sobre heranças, a medida propõe a regulamentação do imposto sobre grandes fortunas.

​Seguindo exemplo do governo argentino, a proposta da oposição prevê duas fases de incidência. Nos primeiros cinco anos, as alíquotas seriam mais altas, com objetivo de suprir demandas criadas no país após a pandemia do novo coronavírus.

Inicialmente, a cobrança seria de 1% ao ano para contribuintes com patrimônio entre R$ 10 milhões e R$ 40 milhões; 2% para valores acima de R$ 40 milhões até R$ 80 milhões; e 3% para fortunas superiores a R$ 80 milhões. A partir do sexto ano, incidiria sobre as mesmas faixas de riqueza, mas com alíquotas menores, respectivamente, de 0,5%, 1,0% e 1,5% ao ano.

A arrecadação estimada do novo imposto seria de R$ 40 bilhões ao ano, valor superior ao orçamento do Bolsa Família.

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