Fim da 'farsa': EUA devem reconhecer que sabem sobre armas nucleares de Israel, diz Nobel da Paz

© AFP 2022 / Jalaa MareyBandeira israelense no Monte Bental, nas Colinas de Golã, que são controladas por Israel (foto de arquivo)
Bandeira israelense no Monte Bental, nas Colinas de Golã, que são controladas por Israel (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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Presidentes e políticos norte-americanos se recusaram a reconhecer que Israel possui armas nucleares há décadas, afirma arcebispo sul-africano.

O arcebispo emérito da Cidade do Cabo, na África do Sul, e prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu pede que o futuro presidente dos EUA, o democrata Joe Biden, reconheça que Israel possui armas nucleares. O apelo foi realizado em um artigo de opinião publicado no jornal The Guardian em 31 de dezembro de 2020.

"O próximo governo Biden deve reconhecer abertamente Israel como um dos principais patrocinadores da proliferação nuclear no Oriente Médio e implementar adequadamente a lei dos EUA. Outros governos, em particular o da África do Sul, devem insistir no estado de direito e por um desarmamento significativo, e imediatamente exortar o governo dos EUA a agir nos termos mais fortes possíveis", afirma Tutu.

De acordo com o laureado com o prêmio da Paz de 1984, desde 1970 há evidências de que Israel é um proliferador de múltiplas armas nucleares.

© AFP 2022 / DON EMMERTPrimeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fala sobre o programa nuclear iraniano na ONU
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Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fala sobre o programa nuclear iraniano na ONU
"Há evidências contundentes de que [Israel] se ofereceu para vender armas nucleares ao regime do apartheid na África do Sul na década de 1970 e até mesmo conduziram um teste nuclear conjunto. O governo dos EUA tentou encobrir esses fatos. Além disso, [Israel] nunca assinou o tratado de não proliferação nuclear", destaca.

O arcebispo emérito da Cidade do Cabo lembra que a Guerra no Iraque foi baseada "em mentiras" e cita o denunciante nuclear israelense Mordechai Vanunu, que afirmou que as armas nucleares não estavam no Iraque, mas em Israel.

Apartheid israelense

Desmond Tutu argumenta que a falta de ação dos EUA nesse tópico dá ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, uma sensação de poder e impunidade, permitindo que Israel dite termos a outros países. E que nos EUA deve cumprir suas leis e cortar o financiamento a Tel Aviv devido a sua aquisição e proliferação de armas nucleares.

© REUTERS / Mohamad TorokmanSoldados israelenses em veículo militar durante protestos de palestinos contra presença de Israel na Cisjordânia, 24 de novembro de 2020
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Soldados israelenses em veículo militar durante protestos de palestinos contra presença de Israel na Cisjordânia, 24 de novembro de 2020
"Há emendas que "proíbem a assistência econômica e militar dos EUA a proliferadores nucleares e países que adquiram armas nucleares […]. Mas nenhum presidente o fez em relação a Israel. Pelo contrário. […]. Essa farsa deve acabar", sentencia Tutu.

O prêmio da Paz lembra que o apartheid na África do Sul "era horrível" e que o que Israel faz com palestinos é "sua própria forma de apartheid", com postos de controle e um sistema de políticas opressivas.

"É bem possível que uma das razões pelas quais a versão israelense do apartheid sobreviveu à da África do Sul é que Israel conseguiu manter seu sistema opressor usando não apenas as armas dos soldados, mas também mantendo essa arma nuclear apontada para milhões de cabeças", comenta Tutu.

O arcebispo emérito da Cidade do Cabo termina o artigo afirmando que a solução para a versão israelense do apartheid não é os palestinos e outros árabes tentarem obter tais armas. " A solução é paz, justiça e desarmamento […]. Há poucas verdades mais críticas a enfrentar do que um arsenal de armas nucleares nas mãos de um regime do apartheid", conclui.

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