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Discurso de Bolsonaro incentiva violência política contra candidatos, diz líder de ONG

© Folhapress / José LucenaMovimentação no túmulo onde a vereadora Marielle Franco está enterrada, no Cemitério de São Francisco Xavier (Caju), na zona norte do Rio de Janeiro
Movimentação no túmulo onde a vereadora Marielle Franco está enterrada, no Cemitério de São Francisco Xavier (Caju), na zona norte do Rio de Janeiro - Sputnik Brasil
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O discurso do presidente Jair Bolsonaro e grupos que espalham notícias falsas e ódio pelas redes sociais contribuíram para aumento da violência política no Brasil, disse advogado à Sputnik Brasil.

Segundo levantamento produzido pela ONG Terra de Direitos e Justiça Global, os registros noticiados por veículos de comunicação de assassinatos e atentados contra candidatos e candidatas nas primeiras semanas de setembro e durante o período eleitoral aumentaram 196% em relação aos oitos meses anteriores. 

Entre 1º de janeiro e 1º de setembro de 2020, houve 13 assassinatos e 14 atentados contra representantes de cargos eletivos e pré-candidatos no país. Em comparação, no período entre 2 de janeiro e 29 de novembro, período pré-eleitoral e eleitoral, foram contabilizados 14 assassinatos e 66 atentados contra candidatos e candidatas a prefeituras e a vereador. Em relação aos atentados, houve um aumento de 371% frente aos meses anteriores. 

Para Darci Frigo, ex-presidente do Conselho Nacional dos Direitos Humanos e coordenador da Terra de Direitos, neste ano houve "um aumento vertiginoso da violência política".

"Em 2020 a violência foi maior do que nos três anos anteriores", constatou Frigo com base no relatório, que fez um levantamento dos crimes contra candidatos e políticos ocupando cargos desde 2016. 

Grupos de ódio nas redes

Segundo o ativista, parte dessa violência é explicada pela campanha eleitoral de 2018, o discurso de Jair Bolsonaro e grupos propagadores de ódio nas redes sociais, "o que potencializou a ação política de determinados agentes que, em outros tempos, já agiam com violência, mas agora se sentiram muito mais autorizados".

"O discurso do presidente candidato, do presidente eleito e do presidente da República prega a violência", criticou o advogado. Além disso, acrescentou o especialista, há um "discurso que autoriza agentes que estão na disputa do poder a usar da violência quando lhes convém", acrescentou. 

2020 contabiliza 107 registros de violência

Em 2018 foram registrados 17 casos de assassinatos e atentados contra representantes de cargos eletivos, candidatos ou pré-candidatos ao longo de todo o ano. Em 2019, 32 casos. O ano de 2020, ainda não finalizado, contabiliza 107 registros - um número maior do que a soma de casos registrados entre 2016 e 2019, que totalizaram 98 registros. 

Frigo disse ainda que a falta de dados e de investigação por parte das autoridades sobre esses crimes contribui para o clima de insegurança política no país, fazendo com que não exista "o combate a esse tipo de violência". 

Racismo também é violência

O advogado também cita outro tipo de violência política, o racismo, com "candidaturas de mulheres negras atacadas durante o processo eleitoral e após serem eleitas".

A primeira vereadora negra eleita em Joinville, Ana Lúcia Martins (PT), recebeu ameaças de morte e ataques discriminatórios. Em Bauru, a prefeita eleita, Suéllen Rosim (Patriota), prestou queixa na polícia contra ameaças e xingamentos racistas recebidos por e-mail. 

"Se tem violência contra os políticos, que são de instituições como partidos, que têm acesso aos poderes e fazem a gestão da máquina de Estado, a situação para defensores e defensoras de direitos humanos vai piorar muito. Nós precisamos entender o que está acontecendo e fazer uma pesquisa mais profunda", afirmou Darci Frigo ao explicar o que levou a ONG a realizar o levantamento.
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