Cientistas explicam por que não se consegue parar a pandemia

CC BY 2.0 / NIAID-RML / Imagem de microscópio eletrônico de transmissão mostra SARS-CoV-2
Imagem de microscópio eletrônico de transmissão mostra SARS-CoV-2  - Sputnik Brasil
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Cientistas turcos descobriram que a quantidade de vírus SARS-CoV-2 no organismo de pacientes assintomáticos é mais alta do que nos que apresentam sintomas, o que diferencia radicalmente o novo coronavírus de outros patógenos e explica os esforços infrutíferos de muitos países para conter a pandemia.

Investigações anteriores revelam que os infectados assintomáticos podem transmitir a infecção, mesmo que não tenham febre ou tosse. Porém, cientistas turcos publicaram um artigo com os resultados inesperados de seu estudo na revista Infection.

Os autores avaliaram o nível de carga viral em seis tipos de pacientes de diferentes idades e níveis de gravidade da doença. Desse modo eles intencionavam determinar a ligação entre a evolução da doença e a carga viral na COVID-19.

Especialistas recolheram amostras da nasofaringe, garganta, cavidade bucal e reto, tal como amostras de saliva, sangue e urina, de 60 pacientes com o coronavírus confirmado. Em um quarto deles não eram observados sintomas. No total, os cientistas analisaram 360 amostras.

Revelou-se que todos os pacientes sem sintomas tinham uma carga viral mais alta do que os que os apresentavam. Além disso, com aumento da gravidade da doença e a idade do paciente esse indicador descia.

"COVID-19 é um complexo quebra-cabeça, constituído por múltiplos puzzles. São necessários com urgência estudos virulógicos e imunológicos para juntar tudo em um conjunto e observar a imagem geral", escrevem os cientistas. "Nosso estudo, ao contrário dos outros, demonstra que os pacientes assintomáticos têm uma carga viral de SARS-CoV-2 mais alta do que os que têm sintomas, e com o aumento da gravidade da doença e a idade do paciente observa-se um declínio considerável da carga viral."

Segundo especialistas, a baixa carga viral do SARS-CoV-2 está correlacionada a fatores que definem uma má evolução da infecção, tais como opacidade em "vidro fosco" bilateral em tomografia do tórax, número baixo de linfócitos e idade avançada.

Os autores consideram que a carga viral mais alta em pacientes sem sintomas poderia ser só "a ponta do iceberg" dos problemas ligados à transmissão do coronavírus.

 

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