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Otimismo com vacinas pode levar à recuperação da B3 ainda em 2020, diz gestor financeiro

© Folhapress / Diego PadgurschiGráfico das flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo.
Gráfico das flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo. - Sputnik Brasil
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Investidores demonstraram otimismo na última segunda-feira (16) com a notícia de mais uma vacina promissora contra a COVID-19, fazendo a bolsa de valores brasileira fechar no maior nível dos últimos oito meses.

Após o anúncio do fim da recessão no país, na última segunda-feira (16), o Ibovespa, indicador de referência da bolsa de valores oficial do Brasil, a B3, encerrou aos 106.430 pontos, com alta de 1,63%, atingindo o nível mais alto desde 4 de março, quando fechou em 107.224 pontos.

Também ontem (16), o dólar comercial teve recuo de R$ 0,038 (-0,69%), fechando a R$ 5,437.

Os números relativamente melhores na bolsa estão sendo atribuídos a uma euforia causada pelo anúncio de novos resultados promissores com mais uma vacina que está sendo testada contra a COVID-19, doença responsável por uma profunda crise mundial em 2020, não apenas em termos sanitários, mas também econômicos. 

​Em entrevista à Sputnik Brasil, o gestor financeiro William Teixeira, especialista em renda variável do Escritório Messem Investimentos, explica que a reação dos investidores, verificada na bolsa brasileira, é completamente normal e esperada. Segundo ele, o mercado, neste momento, está tentando precificar como ficará a economia brasileira e a global em um cenário pós-pandemia, que estaria diretamente ligado à descoberta de uma vacina eficaz contra o novo coronavírus. 

"A gente entende que uma notícia dessa magnitude é suficiente para movimentar o mercado", afirma. "Os investidores estão tentando antecipar esse movimento, entendendo quais empresas vão se beneficiar no fim dessa crise sanitária." 

​Teixeira destaca que, com a pandemia em curso, muitas empresas ainda se encontram com seus ativos defasados, com 20% a 40% de queda em relação ao início do ano. Mas, com uma perspectiva de melhora, esses ativos começam a receber, de novo, aporte de investidores, "que, ao invés de deixarem seu dinheiro lá, em uma renda fixa, buscam comprar ativos", apostando que, com o término da pandemia, estes voltarão a valer, pelo menos, o que valiam no início do ano.

Para o especialista, o otimismo verificado ontem (16) pode se repetir à medida que forem divulgadas novas notícias sinalizando esperanças com a possibilidade de o surto da COVID-19 acabar.

"No momento do auge da pandemia, se trocou muito de papéis. A bolsa brasileira e a mundial acabaram mudando um pouco de característica, vendendo papéis de valor e comprando papéis de crescimento [negócios que poderiam aumentar de valor facilmente e ajustados ao cenário]", argumenta. "O que está havendo agora é uma inversão dessa posição, mercado vendendo empresas de crescimento e comprando empresas de valor, empresas já consolidadas, que entregam bons resultados e que, dificilmente, vão dobrar de tamanho da noite para o dia." 

​As empresas de valor são, hoje, as que têm mais peso no Ibovespa. E a grande maioria, segundo o gestor financeiro, ainda apresentam um resultado negativo em 2020.

"A gente está vendo esse movimento também nos Estados Unidos, saindo bastante de empresas de tecnologia, e indo de volta para bancos, para o setor produtivo."

De acordo com o funcionário do Escritório Messem Investimentos, essa tendência positiva pode se manter até o final do ano, fazendo com que a bolsa brasileira se recupere. 

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