Descoberta colisão que deu forma à nossa galáxia há 11 bilhões de anos

CC BY 4.0 / NASA, ESA / Grande Nuvem de MagalhãesGrande Nuvem de Magalhães é uma galáxia anã satélite que orbita a Via Láctea
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O evento aconteceu há 11 bilhões de anos, e precedeu as quatro maiores colisões galácticas conhecidas até hoje, aponta novo estudo.

A Via Láctea "consumiu" uma galáxia chamada Kraken há 11 bilhões de anos, o que permitiu dar à nossa galáxia sua atual forma, de acordo com um estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

A equipe de cientistas simulou 150 aglomerados globulares da Via Láctea, considerados "fósseis" do início do Universo, desde sua formação até sua destruição, através de uma rede neural artificial, e forneceu ao algoritmo dados do satélite Gaia, que tem mapeado nos últimos anos a estrutura e história da Via Láctea com alta precisão e detalhe.

"Testamos o algoritmo dezenas de milhares de vezes nas simulações, e ficamos impressionados com a precisão com que foi capaz de reconstruir os históricos de fusão das galáxias simuladas, usando apenas suas populações de aglomerados globulares", comentou o astrônomo Diederik Kruijssen, da Universidade de Heidelberg, Alemanha, citado pela Academia Astronômica Real do Reino Unido.

Em seguida, os pesquisadores dividiram os aglomerados usando movimentos orbitais semelhantes, que se acredita terem vindo de uma galáxia diferente, e obtiveram a existência de cinco colisões galácticas, quatro das quais eram conhecidas.

Essas eram as correntes Helmi, de uma fusão há cerca de dez bilhões de anos galáxia; a galáxia Gaia-Encélado, devorada pela Via Láctea há cerca de nove bilhões de anos; a galáxia Sequoia, que se fundiu com a nossa galáxia também há cerca de nove bilhões de anos; e a galáxia anã Sagitário, que tem perfurado a Via Láctea por bilhões de anos.

No entanto, a colisão descoberta pelos investigadores poderia ser a mais importante, aponta Kruijssen. Ela aconteceu há 11 bilhões de anos, em uma época em que a Via Láctea tinha uma massa quatro vezes menor.

"Os destroços de mais de cinco galáxias progenitoras já foram identificados. Com os telescópios atuais e futuros, deve ser possível encontrá-los a todos" na nossa galáxia, disse Kruijssen.

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