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Glenn Greenwald alega censura em artigo contra Biden e se demite do Intercept

© Folhapress / Zé Carlos BarrettaJornalista americano Glenn Greenwald recebe prêmio especial Vladimir Herzog 2019, no Tucarena, em São Paulo
Jornalista americano Glenn Greenwald recebe prêmio especial Vladimir Herzog 2019, no Tucarena, em São Paulo - Sputnik Brasil
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Vencedor do Pulitzer de jornalismo, Glenn Greenwald pediu demissão do The Intercept nesta quinta-feira (29), alegando censura em artigo escrito por ele sobre Joe Biden, candidato a presidente dos EUA.

O jornalista é um dos fundadores do site, que publicou a série de reportagens conhecida como Vaza Jato, que mostrou diálogos entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato. 

Greenwald explicou sua decisão por meio de artigo publicado na plataforma Substack. O jornalista, que também é formado em direito, disse ainda que vai divulgar no mesmo local o texto que, segundo ele, foi censurado. 

De acordo com o fundador do Intercept, o artigo sobre o candidato democrata contém críticas contra o político e seu filho Hunter. Greenwald afirmou que os outros editores do site em que trabalhava apoiam Biden e, por isso, não quiseram publicar o texto. 

"O artigo censurado, baseado em e-mails revelados recentemente e depoimentos de testemunhas, levantou questões críticas sobre a conduta de Biden. Não contentes em simplesmente impedir a publicação deste artigo no meio de comunicação que eu co-fundei, esses editores do Intercept também exigiram que eu me abstivesse de exercer um direito contratual de publicar este artigo em qualquer outra publicação", escreveu Greenwald em sua carta de demissão. 

Jornalista vive no Rio de Janeiro

Greenwald disse ainda que a discordância entre jornalistas é normal, mas o Intercept deveria publicar artigos com opiniões diferentes.

Radicado no Rio de Janeiro e casado com o deputado federal David Miranda (Psol-RJ), Glenn Greenwald é autor, ao lado de parceiros, de uma série de reportagens sobre espionagem da NSA (Agência Nacional de Segurança), que trouxe revelações de Edward Snowden.

As matérias valeram a Greenwald o Pulitzer. Ele também foi agraciado com o prêmio Esso por série de reportagens publicadas no jornal O Globo, mostrando que os Estados Unidos espionaram a Petrobras e o governo brasileiro. 

Por meio do Twitter, o jornalista norte-americano afirmou ainda que "as mesmas tendências de repressão, censura e homogeneidade ideológica que assolam a imprensa nacional [dos EUA] em geral engolfaram o meio de comunicação que eu co-fundei, culminando na censura de meus próprios artigos". 

​As mesmas tendências de repressão, censura e homogeneidade ideológica que assolam a imprensa nacional em geral engolfaram o meio de comunicação que eu co-fundei, culminando na censura de meus próprios artigos

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