Casa Branca indica 'derrota' da pandemia da COVID-19 como conquista de Trump

© AFP 2022 / Mandel NganPresidente dos EUA, Donald Trump durante comício em Tucson, no Arizona (EUA), 19 de outubro de 2020
Presidente dos EUA, Donald Trump durante comício em Tucson, no Arizona (EUA), 19 de outubro de 2020  - Sputnik Brasil
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A administração Trump relatou ter acabado com a pandemia provocada pelo novo coronavírus em meio a um aumento de novos casos e de casos ativos no país, segundo dados oficiais.

Em um comunicado enviado a repórteres na terça-feira (27), o Escritório de Ciência e Tecnologia da Casa Branca listou "o fim da pandemia da COVID-19" como um dos feitos do primeiro mandato do presidente norte-americano, apesar dos casos de coronavírus continuarem disparando nos EUA.

De acordo com o comunicado, a administração Trump "tomou medidas decisivas para envolver cientistas e profissionais de saúde no meio acadêmico, na indústria e no governo para entender, tratar e derrotar a doença".

Casa Branca proclamando vitória por "acabar com a pandemia", o que é flagrantemente falso.

Além disso, "compreender nosso planeta". O que isso sequer significa?

Apesar do comunicado, os números oficiais pintam uma realidade muito diferente.

Até quarta-feira (28), mais de nove milhões de casos do novo coronavírus haviam sido relatados nos EUA, com resultado de mais de 232.000 mortes, segundo os dados da COVID-19 no Worldmeter. E vale lembrar que no dia anterior, na terça-feira (27), os novos casos contaram 75.981 infectados, com um novo máximo de 81.581 na quarta-feira (28) e um contínuo aumento no número de casos ativos.

De acordo com o portal COVID Tracking Project, atualmente há mais de 44.000 pessoas nos EUA hospitalizadas devido à doença e a complicações respiratórias.

Durante uma transmissão na quarta-feira (28) no canal Fox News, Alyssa Farah, diretora de comunicações estratégicas da Casa Branca, admitiu que o comunicado foi mal redigido.

"Os casos ainda estão aumentando e precisamos que a população americana permaneça vigilante", explicou. "Esta é a principal prioridade do presidente, derrotar este vírus e reconstruir nossa economia. Mas estamos chegando ao fim, porque pensamos que teremos uma vacina até o final do ano, e por conta da liderança do presidente, esperamos ser capazes de implantar isso em grande escala para até 100 milhões de americanos até o final do ano."

Quando a anfitriã Sandra Smith perguntou a Farah se o presidente acreditava que o vírus havia sido derrotado, Farah respondeu: "Não, absolutamente não. Isso foi mal formulado. Acho que a intenção era dizer que o nosso objetivo é acabar com o vírus", relatou o Fox News.

"Estamos apressando a terapêutica [...] Temos remdesivir no mercado que as pessoas são capazes de usar. Temos anticorpos monoclonais, temos esteroides que podem ser usados para tratar os mais vulneráveis. Temos testes massivos e a capacidade de isolar casos", acrescentou Farah.

No domingo (25), Mark Meadows, chefe de gabinete da Casa Branca, disse que a administração Trump "não vai controlar a pandemia" antes que uma vacina esteja disponível, porque a COVID-19 "é um vírus contagioso", informou o jornal USA Today.

Trump e a pandemia

Durante toda a temporada eleitoral, Trump realizou comícios que atraíram milhares de pessoas com níveis mínimos de distanciamento social e uso de máscara, e isso vem se repetindo, minimizado a gravidade da doença.

"COVID, COVID, COVID é o canto unificado da mídia fake news de fraca propagação. Eles não falarão de mais nada até 4 de novembro, quando a eleição (esperemos!) terminará. Então a discussão será sobre quão baixa é a taxa de mortalidade, muitos leitos de hospital, e muitos testes de jovens", disse Trump na quarta-feira (28).

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