Ex-chefe da Inteligência alemã vê aproximação 'silenciosa' da China ao 'domínio mundial'

© AP Photo / Mark SchiefelbeinFuncionária da Huawei fala ao celular em escritório da empresa em Shenzhen, na China, em dezembro de 2019
Funcionária da Huawei fala ao celular em escritório da empresa em Shenzhen, na China, em dezembro de 2019 - Sputnik Brasil
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Gerhard Schindler acredita ser importantíssimo que Berlim dê um basta à sua "dependência estratégica" de Pequim e exclua Huawei do desenvolvimento de sua rede 5G.

China está perto de alcançar o "domínio mundial" e a Europa precisa perceber o perigo, advertiu em entrevista ao jornal The Times Gerhard Schindler, ex-chefe do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND, na sigla em alemão).

Além do mais, o oficial afirmou que Berlim precisa dar um basta à sua "dependência estratégica" de Pequim e excluir a gigante de comunicações chinesa Huawei do desenvolvimento de sua rede 5G.

© AFP 2022 / Nicolas AsfouriTecnologia 5G da Huawei
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Tecnologia 5G da Huawei

Schindler, que comandou o BND entre 2011 e 2016, chamou a atenção ao comportamento "agressivo" de Pequim no mar do Sul da China e à hegemonia econômica chinesa sobre regiões da África, assim como à Nova Rota da Seda, financiada pela China, que se estende pela Eurásia.

Domínio 'silencioso'

"China está fazendo as coisas de maneira muito inteligente, muito silenciosa, mas, em qualquer caso, com uma estratégica assombrosamente consistente, e é preocupante que na Europa apenas notamos este comportamento dominante", assegurou Schindler.

Segundo o ex-chefe da Inteligência da Alemanha, o posicionamento alemão em relação à China "tem sido dominado pelas relações comerciais" e precisa ser reconsiderado.

"Dependemos parcialmente da China, por exemplo, em nossa indústria automobilística. Mas não se pode aliviar esta dependência tornando-se mais dependentes; deveríamos nos esforçar para sermos menos dependentes", explicou.

Em se tratando da Huawei, Schindler constatou que a tecnologia da gigante de comunicações está tão à frente da das rivais europeias, que a Alemanha já não consegue saber se está instalando "portas dos fundos" em suas redes para desviar a informação a Pequim.

Relação com Moscou e o 'grande perigo' migratório

Por outro lado, Schindler argumentou que seu país deveria construir mais laços culturais e econômicos com Moscou e trabalhar com o presidente russo, Vladimir Putin, na Líbia e na Síria.

O ex-chefe da Inteligência alemã considerou que, embora tenha de adotar "um posicionamento claro sobre Rússia", isso não significa a necessidade de cancelamento do gasoduto Nord Stream 2 (Corrente do Norte 2) que transportaria gás russo à Alemanha.

© Sputnik / Mikhail GolenkovNavio-grua Akademik Chersky, apto a concluir a construção do gasoduto Nord Stream 2
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Navio-grua Akademik Chersky, apto a concluir a construção do gasoduto Nord Stream 2

Abordagem liberal de Angela Merkel sobre a crise migratória de 2015 deixou a Alemanha com uma "grande reserva" de jovens muçulmanos suscetíveis a violência e ideologia jihadista, o que representa um "grande perigo", afirmou Schindler.

"Se não podemos integrar centenas de milhares de muçulmanos jovens, então estas pessoas estão programadas para falhar", acrescentou.
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