Cientistas norte-americanos teriam ignorado descoberta soviética de água na Lua há décadas

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Cientistas da NASA, que relataram a existência de água na Lua, nunca mencionaram uma investigação da URSS em 1976, que também não foi citada por outros pesquisadores ocidentais, disse acadêmico.

Na segunda-feira (26), a agência espacial norte-americana NASA anunciou que seus cientistas descobriram "pela primeira vez" água na superfície ensolarada da Lua. No entanto, a sonda Luna 24 da União Soviética (URSS) fez a descoberta em 1976, uma descoberta totalmente ignorada pelos cientistas ocidentais.

Segundo a agência espacial norte-americana NASA, cientistas do Observatório Estratosférico de Astronomia Infravermelha (SOFIA, na sigla em inglês) detectaram moléculas de água (H2O) na Cratera de Clavius, no hemisfério sul da Lua.

O comunicado observa que a concentração é de aproximadamente 100 a 412 partes por milhão, ou o equivalente a uma garrafa de água de cerca de 340 mililitros em um metro cúbico de solo, o que é 100 vezes menos umidade do que pode ser encontrada no deserto do Saara.

"Tínhamos indicações de que H2O, a água familiar que conhecemos, poderia estar presente no lado ensolarado da Lua", disse Paul Hertz, diretor da Divisão de Astrofísica na Diretoria da Missão Científica da sede da NASA.

"Agora sabemos que ela está lá. Esta descoberta desafia nossa compreensão da superfície lunar e levanta questões intrigantes sobre recursos relevantes para a exploração do espaço profundo."

Pesquisa esquecida

No entanto, a sonda soviética Luna 24 da URSS fez esta descoberta ainda em 1976.

A URSS enviou dezenas de sondas para vários objetos no espaço exterior, incluindo a Lua e Vênus, trazendo grandes contribuições para o conhecimento da humanidade sobre o Sistema Solar. No entanto, seu trabalho era muitas vezes ignorado por cientistas ocidentais.

Um artigo publicado em 1978 na Geokhimiya (Geoquímica), a revista científica mensal da Academia de Ciências da URSS, declarou definitivamente ter descoberto água na superfície lunar da cratera Mare Crisium.

Embora sua versão inglesa se chame "Possível Água no Regolito Luna 24 de Mare Crisium" ("Possible Water in Luna 24 Regolith from the Sea of Crises"), o artigo de M. V. Akhmanova, B. V. Dementyev e M. N. Markov afirma definitivamente que a água existia no satélite terrestre.

Segundo Arlin Crotts, que foi professor de astronomia na Universidade de Columbia, EUA, até sua morte em 2015, o trio testou amostras de solo trazidas da Lua de volta à Terra pela sonda Luna 24.

Essa sonda havia perfurado dois metros de profundidade em Mare Crisium e extraído 170 gramas de solo lunar. Usando espectroscopia de absorção infravermelha, eles provaram que o solo lunar era constituído por aproximadamente 0,1% em massa, com mais água aparecendo mais abaixo da superfície.

Os cientistas soviéticos fizeram um grande esforço para proteger suas amostras da contaminação quando retornaram à Terra, . Apesar de tudo, o trio soviético "não estava disposto a apostar sua reputação em declarar inequivocamente que a contaminação terrestre foi completamente evitada", embora eles observassem que tomaram "todas as precauções possíveis" para protegê-la, escreveu Crotts em 2012.

Contudo, de acordo com Crotts, até 2012 seu trabalho não foi citado uma única vez. A agência espacial do governo dos EUA deixa claro que quando eles se referem a "indicações" anteriores de que água poderia estar presente no lado ensolarado da Lua, eles estão se referindo às tentativas dos EUA nos anos 90, como a nave espacial Clementine de 1994 e a sonda lunar Prospector de 1998, e não a qualquer descoberta soviética.

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