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Perda do apoio de militares não prejudica negociações de Bolsonaro com o Congresso, afirma analista

© Folhapress / Wallace Martins/Futura PressAto de militares em Brasília (DF) pedindo reajustes na profissão.
Ato de militares em Brasília (DF) pedindo reajustes na profissão. - Sputnik Brasil
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O presidente Jair Bolsonaro enfrenta descontentamento e insatisfação de parte dos militares, um dos principais grupos que impulsionou a eleição do atual presidente em 2018.

No dia 10 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro esteve em formatura de sargentos da Marinha, na zona norte do Rio de Janeiro. O presidente disse apenas que estava feliz em prestigiar a formatura "nessa terra maravilhosa chamada Rio de Janeiro". Do lado de fora do evento, houve protesto de reservistas.

Os manifestantes levaram faixas contra a lei 13.954/19, que mudou a Previdência dos militares, e protestaram aos gritos de "Bolsonaro traidor", conforme noticiou a revista IstoÉ à época.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o cientista político Antonio Marcelo Jackson, professor do Departamento de Educação e Tecnologias (DEETE) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), ponderou dizendo que o grupo de militares não é numericamente relevante ao ponto de interferir nos planos de Bolsonaro.

"O número de militares da reserva e seus parentes mais próximos é um número muito reduzido de eleitores, então quer dizer, não vejo honestamente nenhum problema em termos de perder apoio desse segmento ou entrar em confronto com esse segmento", afirmou.

Segundo Jackson, a perda de apoio na base de militares de baixa patente não interfere também na negociação de Bolsonaro com setores do Congresso Nacional.

"Esse segmento de militares de baixa patente seria suficiente para eleger um número de deputados federais grande? A resposta é não. Tecnicamente, em termos práticos para efeito de Congresso Nacional a perda do apoio dos militares de baixa patente não chega a arranhar em nada a negociação que ele faz com o chamado Centrão no Congresso brasileiro", declarou.

O problema da perda de apoio de alguns setores ligados aos militares, segundo Antonio Marcelo Jackson, pode ocorrer durante a campanha para a reeleição de Bolsonaro em 2022.

"Se efetivamente a campanha eleitoral de 2022 se voltar novamente por via das redes sociais, através de comunicações instantâneas Bolsonaro perderia uma base razoável de apoio", completou.
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