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Indicação de Kassio Marques ao STF mostra que Bolsonaro passou a fazer política, explica analista

© Folhapress / Mateus Bonomi/AgifSabatina do juiz federal Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Sabatina do juiz federal Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). - Sputnik Brasil
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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado sabatina nesta quarta-feira (21) o desembargador Kassio Nunes Marques, primeiro indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

A sabatina, cuja sessão começou às 08h13, é uma das etapas obrigatórias para que Marques, desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), possa assumir a vaga no STF aberta com a aposentadoria do ministro Celso de Mello na semana passada.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, atribui a indicação de Kassio Nunes Marques ao fato de que Bolsonaro passou a articular politicamente com o Congresso.

"Do ponto de vista político representa que Bolsonaro começou a fazer política. Há uma diferença substancial entre o discurso de campanha, o discurso que o Bolsonaro continuou fazendo depois de eleito como se estivesse em campanha e o momento em que o presidente se dá conta de que precisa governar", disse.

Segundo Prando, a indicação de Kassio Nunes Marques representa uma aproximação de Bolsonaro com o bloco chamado de Centrão.

"O presidente tem entendido que para se manter no cargo ele precisa essencialmente do apoio do Centrão, precisa fazer política, o Kassio é uma expressão desse momento do bolsonarismo buscando o diálogo e a construção de alianças políticas e de uma certa governabilidade", afirmou.

Rodrigo Prando destacou, inclusive, o fato de que setores ligados à chamada "ala ideológica" do governo terem criticado o presidente pela escolha de Kassio.

"A base de apoio mais ideológica dele, como Olavo de Carvalho, como uma parte de evangélicos, essa base mais ideológica é boa para mobilização da rede de apoio do presidente, mas não é a base ideológica que permite governar. Para governar necessita-se de pragmatismo e diálogo", lembrou.

Além de passar pela sabatina, Kassio Marques precisa ter o nome aprovado pelo plenário do Senado, com o apoio da maioria absoluta (metade mais um) dos senadores. A expectativa é de a votação ocorrer ainda nesta quarta-feira (21).

Kassio Nunes Marques tem 48 anos e desde 2011 atua no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), com sede em Brasília. Foi escolhido para o tribunal pela então presidente Dilma Rousseff e ingressou na Corte na cota de vagas para profissionais oriundos da advocacia.

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