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Analista cita 'abalo de confiança' como obstáculo para investimentos no Brasil

© Folhapress / Pedro LadeiraPresidente Jair Bolsonaro ao lado do ministro Paulo Guedes (Economia) durante cerimônia de lançamento do programa de taxa fixa no crédito imobiliário da Caixa, no Palácio do Planalto
Presidente Jair Bolsonaro ao lado do ministro Paulo Guedes (Economia)  durante cerimônia de lançamento do programa de taxa fixa no crédito imobiliário da Caixa, no Palácio do Planalto - Sputnik Brasil
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O ministro da Economia, Paulo Guedes, sugeriu ontem (20) que os investidores não deveriam retirar seus ativos do Brasil, pois o país manterá uma agenda interessante para o mercado no pós-pandemia.

Durante participação em uma conferência organizada pelo Milken Institute, sobre oportunidades para Brasil e Estados Unidos, o ministro explicou que considera "um grande erro não investir no Brasil" porque o governo continuará priorizando reformas liberalizantes, privatizações e atualizações dos marcos regulatórios. Prometeu também que não haverá aumento dos impostos, que, ao contrário, pretende reduzir os tributos das empresas. 

"Estamos há um ano e meio sem corrupção no governo, e isso nunca aconteceu antes. É normal que a taxa de juros caia e a taxa de câmbio aumente, mas os investidores estrangeiros podem ficar tranquilos que teremos bons mecanismos de hedge [proteção]", disse ele, citado pela Agência Brasil.  

​Para o economista Gustavo Bertotti, analista da empresa Messem Investimentos, as declarações de Guedes vão de encontro à posição adotada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro desde o seu início, focada em aumentar a participação privada na economia. 

Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista argumenta que, apesar de todos os esforços da equipe econômica, a verdade é que, muito por conta de acontecimentos políticos, como casos de "corrupção" e outras questões que vêm gerando preocupações nos investidores, o mercado brasileiro ainda está "extremamente desvalorizado". 

"O Brasil tem um abalo de confiança muito grande. Os indicadores macroeconômicos já vinham em nível alto de desemprego. Enfim, geração de renda e emprego, tudo isso pesa. E aí, a gente tem uma questão aí que a gente sabe que nos acompanha nos últimos anos, na própria questão da corrupção e tudo mais. Isso pesa para o investidor estrangeiro tomar sua decisão em fazer investimentos no Brasil. Mas acho que a fala é oportuna e acho que vai de encontro com o propósito do governo nessa agenda reformista. E trazer essa confiança, retomar essa confiança, que eu acho que é extremamente fundamental para o Brasil, enfim, passar a ser uma rota de investimentos dos investidores internacionais. Não só via mercado de capitais, mas também investimentos diretos em empresas. Enfim, acho que é algo em que o Brasil é muito carente e tem um mercado extremamente defasado, com muitas oportunidades também ainda."

​Bertotti afirma que é natural, em um cenário de crise global, que países emergentes, como o Brasil, sofram um grande impacto. E isso se reflete, por exemplo, na desvalorização da moeda nacional. Isso, junto com os problemas políticos, são fatores preocupantes. No entanto, ele acredita que, no médio prazo, é possível que a situação apresente melhoras. 

"O fluxo ainda é muito negativo. O fluxo deste ano é muito negativo, em parte, impactado pelo coronavírus, mas também pelas nossas questões internas. Questões domésticas que nos acompanham nos últimos quatro, cinco anos, e vêm, cada vez mais, fazendo peso em cima disso", avalia. 

Investir em quê?

O analista aponta que muitos setores da economia brasileira pararam no tempo, principalmente os ligados à infraestrutura, o que impacta diretamente a questão da logística no país e a própria indústria como um todo, por deixar os custos dos transportes de matéria-prima muito elevados. Isso, para ele, deveria ser uma das prioridades no que diz respeito aos investimentos, de maneira a trazer mais competitividade para as empresas e os estados.

"Acho que, então, tudo que envolve portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, eu acho que isso seria, na minha opinião, um dos principais pontos. Fora, depois, questões ligadas à educação, que eu acho que é uma área que o Brasil precisa evoluir muito ainda também, e começar a fazer um planejamentos de médio e longo prazos para conseguir obter retornos aí de crescimento gradativo no futuro", explica Bertotti, citando também o saneamento como setor a se investir. 
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