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The Lancet publica resposta de cientistas russos a colegas sobre vacina russa Sputnik V

© Sputnik / Ministério da Saúde da Rússia / Abrir o banco de imagensPrimeira vacina contra a COVID-19 no mundo
Primeira vacina contra a COVID-19 no mundo  - Sputnik Brasil
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A revista científica The Lancet publicou um comunicado de um grupo internacional de cientistas a especialistas russos sobre a vacina Sputnik V, assim como a resposta dos pesquisadores russos a seus colegas, informou uma representante da edição à Sputnik.

Entretanto, a revista aponta pela primeira vez o conflito de interesses de um dos autores e líder da iniciativa de análise crítica da vacina russa.

"A The Lancet publicou a correspondência sobre este estudo [sobre a publicação da Sputnik V]. Ambos os textos estão disponíveis em nosso site", disse um representante da revista à Sputnik.

Apelo aos cientistas russos

A carta, assinada por um grupo internacional de cientistas, apresenta um apelo aos colegas russos para que publiquem informações adicionais sobre a vacina.

"Apesar dos resultados da pesquisa parecerem potencialmente significantes, temos certos temores, em função da acelerada distribuição da vacina para a população, que descrevemos em nossa carta aberta, assinada por nós e por alguns dos nossos colegas que compartilham dessa preocupação", informa o documento.
© Sputnik / Ministério da Saúde da Rússia / Abrir o banco de imagensEmbalagem contendo nova vacina contra COVID-19
The Lancet publica resposta de cientistas russos a colegas sobre vacina russa Sputnik V - Sputnik Brasil
Embalagem contendo nova vacina contra COVID-19

Resposta russa

Os cientistas russos responderam, ponto a ponto, às questões dos colegas, listadas na carta à revista Lancet.

Eles esclareceram a semelhança de dados, obtidos em experimentos diferentes, bem como as diferenças dos resultados, que levantaram suspeitas do grupo internacional, em relação à titulação de anticorpos entre os participantes das experiências.

"Gostaríamos de destacar que todas as informações disponibilizadas foram obtidas por experimentos e foram verificadas com rigor", afirmaram os especialistas russos.

O Ministério da Saúde da Rússia registrou, em 11 de agosto, a primeira vacina no mundo de prevenção da COVID-19, desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya em conjunto com o Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI, na sigla em russo). Ela recebeu a denominação de Sputnik V.

Conflito de interesses

Anteriormente, o vice-diretor de pesquisas do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, Denis Logunov, havia informado à Sputnik que os dados obtidos durante a pesquisa da vacina Sputnik V foram submetidos a um exame completo dos revisores da revista The Lancet, e todas as questões de interesse foram respondidas antes da publicação.

No início de setembro, a The Lancet publicou os resultados de duas etapas dos ensaios clínicos da vacina russa contra a COVID-19, a Sputnik V. Pouco depois, vários cientistas de todo o mundo publicaram uma carta aberta no site italiano Cattivi Scienziati, especializado em expor pesquisas pseudocientíficas, em que expressaram dúvidas sobre os dados da vacina russa.

Uma representante da The Lancet disse então à Sputnik que o conselho editorial da revista convidou cientistas russos para responder à perguntas dos colegas estrangeiros.

Um dos signatários da carta, e que liderou a iniciativa internacional, o italiano Enrico Bucci, é dono da companhia Resis Srl, que oferece serviços de adequação, edição e revisão de pesquisas científicas para publicação em revistas especializadas. Diversas publicações de Bucci trazem aviso sobre possível conflito de interesses, em função de suas atividades comerciais. No entanto, a carta aberta de Bucci e outros especialistas aos especialistas russos não continha nenhuma menção desse fato. O conflito de interesses somente veio à tona após solicitação oficial à revista The Lancet. Organizações como a Resis Ralph oferecem seus serviços inclusive a institutos de pesquisa e empresas farmacêuticas que se dedicam, além do mais, ao desenvolvimento de vacinas contra a infecção pelo coronavírus.

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