Churchill propôs atacar União Soviética com armas nucleares ainda em 1951, revela historiador

© AP PhotoWinston Churchill, premiê do Reino Unido, na Catedral de São Paulo em Londres, Inglaterra, Reino Unido, para assistir aos serviços de graças pela vitória na Europa na Segunda Guerra Mundial, em maio de 1945
Winston Churchill, premiê do Reino Unido, na Catedral de São Paulo em Londres, Inglaterra, Reino Unido, para assistir aos serviços de graças pela vitória na Europa na Segunda Guerra Mundial, em maio de 1945 - Sputnik Brasil
Nos siga no
Já se conhecia que o político britânico teve ideias de atacar URSS até 1949, mas Richard Toye se mostrou surpreso ao descobrir que Churchill defendeu ataque quando a própria URSS já tinha obtido a arma.

Winston Churchill, premiê do Reino Unido de 1940 a 1945, período em que seu país lutou contra o nazismo, antes de regressar ao cargo entre 1951 e 1955, propôs uma guerra nuclear preventiva contra a União Soviética ainda em 1951, noticia o jornal The Times.

De acordo com o historiador Richard Toye, que chefia o Departamento de História da Universidade de Exeter, Reino Unido, já se conhecia que Churchill defendeu uma ameaça deste tipo em agosto de 1949 e antes da URSS adquirir uma bomba atômica. O que não se sabia era que o chanceler britânico não tirou a ideia de ataque da cabeça em 1951.

O historiador Richard Toye destaca um memorando do editor-chefe do jornal The New York Times, Julius Ochs Adlerb, de 29 de abril de 1951, seis meses antes de o político britânico regressar à liderança do país.

Na época, relata Toye, o então líder de oposição britânico se encontrou com Adlerb em Kent, Reino Unido. Churchill bebia champanhe de um copo "de forma e tamanho incomuns", pelo menos duas vezes maior do que os outros, conversando com o editor-chefe, antes de expressar lamentação por uma política anglo-americana "fraca, em vez de agressiva" contra a URSS.

"Um pouco abruptamente, ele me perguntou a figura oficial de nosso estoque de bombas atômicas e nossa estimativa do estoque disponível da Rússia", escreveu Adlerb, respondendo que não fazia parte do governo, e como tal não tinha conhecimento sobre esse "magnífico segredo".

Plano dos diabos

Em seguida, conta, Churchill afirmou que tentaria obter um acordo com o governo britânico se se tornasse primeiro-ministro, com o objetivo de impor certas condições à URSS em forma de ultimato.

"Diante de sua recusa, o Kremlin deveria ser informado de que, a menos que reconsiderem, lançaríamos bomba atômica em uma das 20 ou 30 cidades. Ao mesmo tempo, devemos adverti-los de que é imperativo que a população civil de todas as cidades escolhidas seja evacuada imediatamente."

Esse bombardeamento continuaria até que o pânico inevitável "não só entre o povo russo, mas também no Kremlin" levasse Moscou a aceder aos termos do ultimato.

"Pode-se questionar seu julgamento neste momento", avalia Toye.

As obras de Richard Toye também falam de planos de ataques nucleares à China, em particular a bases militares e concentrações de tropas do país ao norte do rio Yalu, que demarca a fronteira entre a Coreia do Norte e a China.

A política externa que Churchill realmente seguiu após ser eleito em outubro de 1951 acabou sendo "bastante melhor" que as ameaças consideradas nos primeiros anos da Guerra Fria, indica o historiador.

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала