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Veto do Brasil à educação sexual em projeto da ONU reflete posição de Bolsonaro, diz psicólogo

© AP Photo / Jennifer PeltzSede da ONU em Nova York com bandeiras dos Estados-membros
Sede da ONU em Nova York com bandeiras dos Estados-membros - Sputnik Brasil
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Para psicólogo Luiz Ainbinder, a posição do Brasil na ONU está sendo ditada pela postura pessoal do presidente Jair Bolsonaro.

Relatos do jornalista Jamil Chade, colunista do site UOL, revelam que o Brasil e cinco países islâmicos como Arábia Saudita, Qatar, Bahrein, Paquistão e Iraque pediram a retirada de um projeto de resolução da ONU contra discriminação de mulheres um parágrafo que contempla, entre outros itens, direito à educação sexual universal e uma gama completa de informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo orientações sobre aborto, e de que legislações nacionais não coíbam essa prática.

O psicólogo e radialista Luiz Ainbinder considera não haver razão científica para o veto e que a posição do Brasil reflete a postura pessoal do presidente Jair Bolsonaro.

"Embora o país seja laico, o presidente não é, nem é obrigado a ser laico. Pode ter sua própria religião. Baseado nela, ele assume uma postura que influencia suas decisões. Não há razão científica para esse veto, mas há uma razão política e religiosa envolvida", disse Luiz Ainbinder à Sputnik Brasil.

Segundo o psicólogo, a ONU é um órgão político com diversas forças influenciando suas decisões e o Itamaraty participa desse cenário sempre seguindo as diretrizes do governo.

"As diretrizes do Itamaraty são dadas pelo governo. No atual governo a mentalidade é essa", acrescentou o psicólogo. Ainbinder destacou que, se o governo fosse outro, "a posição do país seria diferente".

Para o radialista, as mudanças de cultura e mentalidade são lentas, o que explicaria a posição sobre o tema dos países islâmicos contrários aos temas apresentados pela resolução.

"As mudanças de cultura não ocorrem simultaneamente no mundo todo. Por exemplo, o primeiro país a banir a escravidão foi Portugal, em 1761, embora esse banimento fosse restrito às fronteiras do país. O último país a abolir a escravidão foi a Mauritânia, em 1981, isto é 220 depois. Ou seja, as mudanças não acontecem simultaneamente, mas lentamente", destacou o interlocutor da Sputnik Brasil.

Segundo Chade, no entanto, a pressão dos governos islâmicos e do Brasil não convenceu os autores do projeto. O governo do México já declarou que será "difícil" excluir o parágrafo e pois a medida minaria o centro da resolução, que é o combate contra a discriminação sofrida por mulheres e meninas.

A aproximação do Brasil de governos mais conservadores tem sido motivo de polêmicas na ONU, que considerava o Brasil como um dos aliados tradicionais no avanço dos direitos das mulheres.

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