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Imunidade de rebanho seria miragem, opinam cientistas ao ver anticorpos desaparecendo em pacientes

© AFP 2021 / Alfredo EstrellaMultidão na rua durante a pandemia do novo coronavírus no México
Multidão na rua durante a pandemia do novo coronavírus no México - Sputnik Brasil
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Apenas 5% das pessoas infectadas pelo novo coronavírus, segundo o estudo, desenvolveram imunidade, confirmando pesquisas anteriores em que mesmo em regiões fortemente afetadas não surgia proteção na população.

Cientistas espanhóis examinaram a imunidade de rebanho no país, chegando à conclusão de que esta poderia ser "inalcançável" devido aos anticorpos do SARS-CoV-2 desaparecerem em certos pacientes meras semanas após os desenvolverem, escreve o site Business Insider.

O estudo refere que só 5% das 61 mil pessoas testadas mantiveram os anticorpos contra o novo coronavírus, segundo dados publicados na revista médica The Lancet, ao mesmo tempo que a imunidade desapareceu em outros 14% apenas semanas depois dos primeiros testes.

"A imunidade pode ser incompleta, pode ser transitória, pode durar pouco tempo e depois desaparecer", disse Raquel Yotti, diretora do Instituto de Saúde Carlos III da Espanha, que ajudou a conduzir o estudo.

O país europeu tem sido um dos mais atingidos pela COVID-19, com quase 30 mil mortes e mais de 250 mil infecções, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, EUA, mas nem por isso a Espanha desenvolveu anticorpos suficientes para chegar à imunidade de rebanho, com 7% da população em Barcelona e 10% em Madri, as zonas mais afetadas pela pandemia.

© AP Photo / Alvaro BarrientosHomem toma café na cidade de Pamplona, na Espanha, em meio à pandemia da COVID-19.
Imunidade de rebanho seria miragem, opinam cientistas ao ver anticorpos desaparecendo em pacientes - Sputnik Brasil
Homem toma café na cidade de Pamplona, na Espanha, em meio à pandemia da COVID-19.

Em Estocolmo, Suécia, onde não foram implementadas medidas de isolamento estritas, a porcentagem de pessoas com anticorpos era de 7,3% em maio.

Além disso, Boris Johnson, premiê do Reino Unido, teria tentado inicialmente (junto com Patrick Vallance, o principal conselheiro científico do governo britânico) atingir imunidade de rebanho no país, segundo o vice-ministro da Saúde italiano que conversou com ele em 13 de março, antes de Londres ordenar um lockdown nacional pouco mais de uma semana depois.

Relação com estudos anteriores

Alguns pesquisadores consideram que o estudo corrobora descobertas anteriores, de acordo com as quais a imunidade ao vírus pode não ser duradoura em pessoas que desenvolvem apenas sintomas leves ou sem sintomas.

Segundo Ian Jones, professor de virologia da Universidade de Reading, Reino Unido, uma infecção leve "nunca faz com que o sistema imunológico funcione suficientemente bem para gerar 'memória' imunológica", e um mero teste positivo de anticorpos não garante proteção contra o coronavírus, apesar de ser possível.

Estudos realizados nos EUA e na China têm teorizado que a imunidade de rebanho não poderia ser atingida.

"À luz destas descobertas, qualquer abordagem proposta para atingir a imunidade de rebanho através de infecção natural não só é altamente antiética, mas também inalcançável", concluíram Isabella Eckerle, que dirige o Centro para Doenças Virais Emergentes de Genebra, e Benjamin Meyer, um virologista da Universidade de Genebra, ambos na Suíça.

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