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Expectativa é de que coronavírus continue se espalhando pelo Brasil, diz epidemiologista

© REUTERS / Sergio MoraesHomem caminha em frente a grafite retratando profissional de limpeza de máscara espalhando coronavírus
Homem caminha em frente a grafite retratando profissional de limpeza de máscara espalhando coronavírus - Sputnik Brasil
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Estudo da UFPR indica que epicentro do coronavírus se deslocou para regiões Sul e Centro-Oeste e, segundo especialista disse à Sputnik Brasil, tendência é de que a COVID-19 continue se espalhando pelo país.

Segundo modelo estatístico alimentado por pesquisadores do Laboratório de Estatística e Geoinformação, da Universidade Federal do Paraná, o contágio da doença está se disseminando de forma mais rápida nessas duas regiões.

No Sul, uma pessoa está infectando em média outras 1,23, índice que sobe para 1,35 no Centro-Oeste. Quando o indicador é maior do que um, o número absoluto de infectados aumenta exponencialmente.

No Norte, o índice de transmissibilidade, que já foi maior do que um, hoje está em 0,86, o que também acontece no Nordeste, que registra taxa de 0,92. 

Para o epidemiologista Márcio Bittencourt, professor da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, em São Paulo, a explicação para o deslocamento da COVID-19 é "temporal" e "geográfica".

"É simplesmente uma questão temporal. A epidemia está evoluindo com uma progressão geográfica, vindo dos primeiros epicentros no Norte e em São Paulo. Ela passa de uma pessoa para outra, então a progressão é geográfica, seguindo o trajeto das estradas e conexões aéreas e fluviais", explicou.

'Vai chegar a todos os lugares'

O especialista concorda que o distanciamento social adotado no país, e em alguns casos o lockdown, contribuiu para que a transmissão ficasse mais "lenta".

No entanto, ele avalia que se medidas para conter a disseminação da COVID-19 não forem tomadas, a tendência é de que a enfermidade continue se espalhando e atinja todos os lugares do Brasil, ainda que de maneira "devagar".

"Se medidas mais agressivas adicionais não forem tomadas, uma hora eventualmente ela vai chegar a todos os lugares", afirmou.

Apesar de alertas de especialistas e do número de casos e mortes continuarem altos, várias cidades e estados do Brasil estão adotando medidas de flexibilização da quarentena.

"Agora está se expandindo para o interior de São Paulo, para o restante do Sudeste, incluindo Minas Gerais, para o Centro-Oeste, em todos os estados, principalmente Goiás, para o Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul", indicou o epidemiologista.

'A doença está em aceleração'

Segundo números do Ministério da Saúde atualizados na quinta-feira (25), a região Centro-Oeste tem 77.098 casos da COVID-19 e 1.416 mortes, enquanto o Sul contabiliza 62832 casos e 1.328 óbitos. A região mais afetada é a Sudeste, com 427.499 casos e 25.505 mortes. 

"A doença está em aceleração, mantendo uma velocidade de progressão acima de um em praticamente todo o Centro-Oeste e todo o Sul, e até na maior parte do Sudeste, tirando talvez o Rio de Janeiro", afirmou Bittencourt.

Em um cenário como esse, o epidemiologista critica a postura adotada por algumas cidades em relação ao distanciamento social.

"Tem cidades que estão com casas de shows abertas e parques de entretenimento, tem cidade com restaurantes, bares e academias abertos, então não sei exatamente quais são as cautelas tomadas em cada lugar", lamentou.

Distanciamento social não basta

O especialista diz ainda que as medidas para controlar a disseminação do vírus deveriam ter sido adotadas de forma mais "agressiva", e ressalta que "há muito mais coisa a se fazer" além do distanciamento social, como, por exemplo, uma "testagem mais intensa".

"Mesmo onde as cautelas de distanciamento foram tomadas, ainda assim a gente deveria estar isolando individualmente todos os casos, fazendo quarentena de todos os contatos e usando medidas de bloqueio", opinou Márcio Bittencourt.
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