Afinal, humanos antigos comiam cobras e lagartos há 15.000 anos, revela estudo

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Arqueólogos da Universidade de Haifa (Israel) concluíram que os habitantes do Monte Carmelo comiam répteis há 15.000 anos, possivelmente como parte da transição para um estilo de vida sedentário.

Pesquisadores israelenses encontraram evidências de que os humanos antigos comiam cobras e lagartos como parte regular de sua dieta, assegurando se tratar da primeira descoberta deste tipo.

Pesquisa pioneira

Segundo estudo publicado na revista Nature e divulgado pelo jornal Times of Israel, arqueólogos da Universidade de Haifa descobriram estas evidências de 15.000 anos no el-Wad Terrace, na área do Monte Carmelo, perto de Haifa.

O Monte Carmelo foi o lugar onde o profeta Elias teria transmitido aos homens que o Deus de Israel era o verdadeiro Deus.

"Sabíamos de fontes históricas que as pessoas comiam cobras na Idade Média, mas até agora não havia evidências de que o tivessem feito há 15.000 anos. É muito possível que, com a ajuda do método que desenvolvemos, encontremos evidências ainda mais antigas", afirmou ao Times of Israel um dos autores do estudo, o arqueólogo Reuven Yeshurun.

Os habitantes do local faziam parte da cultura natufiana, nos finais do Paleolítico, conhecida sobretudo por sua transição para um estilo de vida agrícola.

Milhares de ossos de cobras e lagartos foram encontrados no chão das casas pré-históricas da região, mas não ficou claro se os animais haviam sido comidos por humanos ou se foram depositados através de processos naturais.

Se os ossos de animais maiores – como coelhos - faziam claramente parte da alimentação humana, por apresentarem nítidas marcas de terem sido esquartejados e cozinhados, os ossos de lagartos e cobras - na sua maioria vértebras muito pequenas - não apresentaram tais sinais.

Dúvida esclarecida

Para esclarecer essa dúvida e determinar se os répteis realmente faziam parte do regime alimentar da época, os pesquisadores estudaram as superfícies e padrões de fragmentação dos ossos de lagartos e cobras encontrados no local.

De seguida, em uma série de experimentos, tentaram imitar os processos naturais que quebrariam as carcaças dos animais, incluindo deixá-las do lado de fora e queimando-as, para de seguida comparar os resultados com os ossos antigos.

Os experimentos foram conclusivos, levando a equipe a determinar que os antigos humanos comiam o lagarto Pseudopus apodus que se assemelha a uma serpente, a cobra Dolichophis jugularis e, em menor escala, a cobra-rateira e a víbora comum.

Esta ampliação do regime alimentar nas comunidades antigas pode indicar a transição para um estilo de vida mais sedentário e um uso mais intenso dos recursos, concluíram os pesquisadores.

 

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