EUA e Reino Unido falham juntos na resposta à COVID-19 e analista explica por quê

© AP Photo / Francisco SecoO primeiro-ministro britânico Boris Johnson, à esquerda, estende a mão para cumprimentar o presidente norte-americano Donald Trump
O primeiro-ministro britânico Boris Johnson, à esquerda, estende a mão para cumprimentar o presidente norte-americano Donald Trump - Sputnik Brasil
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O sistema do pós-guerra dos dois países anglófonos facilitou a Grande Recessão em 2008 e também a resposta "fracassada" à pandemia da COVID-19, escreve o diário The Guardian.

Os EUA e Reino Unido, "duas nações que se orgulhavam de seu extraordinário status econômico, histórico e político", sucumbiram à pandemia do coronavírus devido ao "modelo de capitalismo anglo-americano" de há décadas e por serem reféns de populismo nos últimos anos, afirma o jornal The Guardian.

Os Estados Unidos tiveram um desempenho "petulante e mal preparado" perante a crise, diz o diário, mas a resposta do Reino Unido foi quase tão ruim.

As duas administrações teriam se focado em noções de restauração de grandeza e renascimento abstratas, mas o populismo afasta dos governos os fazedores e os enche de "líderes de torcida" que corrompem a qualidade do debate público.

"Quando o COVID-19 chegou às suas costas, no Reino Unido e nos EUA faltavam não só os políticos, mas também as burocracias necessárias para responder eficazmente", diz a mídia.

Tanto no Reino Unido, com o governo "envolvido em uma rixa com seu próprio serviço público", como nos EUA, em que Trump tentou repetidamente retirar financiamento ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos EUA, a resposta pública falhou.

Raízes mais profundas

No entanto, declara o jornal, o atual fenômeno é apenas um culminar da relação entre os dois países anglófonos no período pós-Segunda Guerra Mundial, com ideologia de governos pequenos, privatizações, liberalização e remoção de direitos dos trabalhadores.

"Nenhum aviso ou advertência poderia ter reformulado a máquina do governo com rapidez suficiente para salvar vidas", diz The Guardian, comentando que a culpa não é apenas dos líderes da direita.

Depois da crise de 2008, quando o sistema financeiro mundial esteve perto do "apocalipse", Barack Obama, dos EUA, e Gordon Brown, do Reino Unido, decidiram apoiar a infraestrutura do modelo vigente salvando os bancos, em vez de realizar reformas fundamentais.

© AP Photo / Vincent ThianO ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, faz uma palestra.
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O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, faz uma palestra.

As instituições internacionais, como União Europeia, Organização Mundial de Saúde e OTAN, e outros países acabam sendo culpabilizados neste sistema para justificar o falhanço nacional contra uma crise que deu tempo e exemplos suficientes, como China e Itália, para responder a ela adequadamente, opina o jornal britânico.

"À medida que se acumulam os cadáveres, o fracasso dos EUA e do Reino Unido será de alguma forma transformado em vitória. O triunfalismo vai se intensificar; isso é certo. A única questão agora é saber quantos continuarão acreditando nisso", conclui.

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