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Moro e Mandetta poderiam formar chapa presidencial em 2022?

© ©José Cruz/Agência BrasilBrasil realiza domingo (2) as eleições municipais
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Sputnik Brasil conversou com cientistas políticos sobre a possibilidade de Sergio Moro e Luiz Henrique Mandetta formarem uma chapa para concorrer à presidência em 2022. Os especialistas avaliaram o capital político dos dois ex-ministros de Bolsonaro e apontaram tanto os seus pontos fortes, como os fracos.

Com a notoriedade em alta, especialmente após suas rumorosas saídas do governo Jair Bolsonaro, os nomes do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, começam a ser cogitados como componentes de uma possível chapa presidencial para as eleições de 2022.

Para o cientista político e coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, Emir Sader, ainda é muito cedo para antecipar o rumo das eleições de 2022, em função da alta volatilidade da política atual.

"Para se ter uma ideia da rapidez com que acontecem as coisas, o Mandeta, que foi protagonista importante do cenário político, por ter sido ministro da Saúde, por ter defendido posições antagônicas daquelas de Bolsonaro, desapareceu. Ninguém mais fala dele", disse Sader à Sputnik Brasil.

De todo modo, no caso de uma eventual aliança entre os recentes desafetos do atual chefe de Estado, o acadêmico considera o ex-juiz como um candidato mais forte.

"Claro que Moro tem muita mais importância. Ele personificou a Lava Jato, ele foi ao governo como uma espécie de garantia de que Bolsonaro lutaria contra corrupção", afirmou o especialista, destacando que mesmo o ex-magistrado tem perdido a atenção da imprensa e do público.

Sader destacou que Sergio Moro prometeu fazer acusações que "acabou não fazendo", não apresentou provas e, inclusive, declarou que o presidente não teria incorrido em crime de responsabilidade. De todo modo, o acadêmico considera que o ex-ministro ainda possui capital político.

"O provável é que exista uma tentativa de Bolsonaro de se reeleger, se ele continuar como presidente da República [...] e certamente haverá uma candidatura do PT - Lula, ou quem Lula indicar - e haveria espaço para alguém como Moro. Mas ainda é muito cedo para pensar esse cenário".

Sader acredita, no entanto, que a principal ameaça ao bolsonarismo ainda seria representada por um candidato do PT.

"Os dois [Mandetta e Moro] se repetiriam. Quem votasse em um votaria em outro. Não seria uma boa aliança para eles, pois não ampliaria o marco de apoio", explicou.

O cientista político, professor da Universidade Veiga de Almeida, Guilherme Carvalhido, concorda com seu colega. Ele acrescentou que Mandetta já é um ator no cenário político, tendo atuado como deputado, e que, provavelmente, tentará se candidatar em uma chapa interna para o governo do seu estado, Mato Grosso do Sul. Moro, por outro lado tem uma presença nacional mais forte, em função da Lava Jato.

"Ele tem força nacional, porque é muito bem avaliado e foi muito bem requisitado por parte da opinião pública com relação à Lava Jato, tendo sido um pouco enfraquecido na relação com Bolsonaro", disse Carvalhido à Sputnik Brasil.

Para ele, Moro, ao deixar do governo, saiu dos holofotes da mídia e vai depender de articulação política futura pois, mesmo no governo, perdeu visibilidade "à sombra de Bolsonaro".

"E é exatamente esse o problema com Bolsonaro. Ele vai dividir o mesmo eleitorado do presidente Bolsonaro, que já é candidato à reeleição, e isso trará, provavelmente, uma divisão interna, o que incomoda muito Bolsonaro", acrescentou o professor.

Ele acredita que Moro precisa se formar como político, pois ainda agiria como magistrado. Mesmo assim, no cenário nacional, seu peso é superior ao do ex-ministro da Saúde.

"Não tenho a menor dúvida de que a figura de Moro é mais forte do que a de Mandetta, justamente em função do processo da Lava Jato, que vem desde 2014, e sobretudo com sua intensa participação na condenação de alguns políticos", explicou o entrevistado.

"Costura política precisa ser feita, e se Moro pretende se candidatar ele precisa começar essa costura. Ele tem imagem forte, mas sem alianças políticas vai enfrentar dificuldades no processo eleitoral", concluiu Carvalhido.

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