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Como Mercosul e BRICS podem ajudar na recuperação do Brasil pós-pandemia?

© Sputnik / Aleksei DrujininBolsonaro durante 11ª Cúpula de Chefes de Estado do BRICS, celebrada entre os dias 13 e 14 de novembro de 2019
Bolsonaro durante 11ª Cúpula de Chefes de Estado do BRICS, celebrada entre os dias 13 e 14 de novembro de 2019 - Sputnik Brasil
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Apesar dos vários desentendimentos do atual governo com outros países, o Brasil ainda deverá ter acesso a ajudas importantes para lidar com problemas provocados pela pandemia da COVID-19, afirma especialista ouvida pela Sputnik.

Com números crescentes de infectados e mortos pela COVID-19, o Brasil também vê sua economia cada vez mais afetada pelo novo coronavírus, sendo constantemente apontado por especialistas como um dos países que mais devem sentir o impacto da pandemia. 

Nesse cenário, a cooperação com parceiros, seja de forma bilateral ou por meio de blocos, tem sido apontada como determinante para ajudar na recuperação da economia brasileira no pós-crise. Mas até que ponto desentendimentos recentes, no âmbito do Mercosul e do BRICS, por exemplo, podem atrapalhar essas parcerias? 

​Desde o início da administração do presidente Jair Bolsonaro, o Brasil já se envolveu em inúmeras polêmicas com parceiros de destaque, gerando preocupações entre empresários sobre uma possível perda de mercados importantes para o país. Entre esses, destacam-se tensões recentes com a vizinha Argentina e também com a poderosa China. 

​Para a professora de Relações Internacionais do Ibmec-SP Daniela Alves, apesar dos diversos choques gerados pela diplomacia brasileira nos últimos meses, esses desentendimentos não são exclusivos do Brasil e não necessariamente impedem a cooperação entre os países.

"Para além das percepções ideológicas, o que também existe nas relações internacionais é uma atuação técnica e institucional. Ou seja, isso não deve ser visto apenas sob o prisma de um presidente ou de um ministro. Tem todo um arcabouço muito mais diversificado quando a gente está falando de relações internacionais", afirma em entrevista à Sputnik Brasil.

Segundo Alves, que é pesquisadora responsável pela linha de Saúde e Relações Internacionais do Laboratório de Bioética e Ética na Ciência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, mesmo com essas tensões, as ajudas entre o Brasil e outros países no contexto da pandemia seguem acontecendo. 

No âmbito do Mercosul, a despeito dos mal-entendidos com a Argentina, a especialista destaca que foram aprovados US$ 16 milhões para um projeto já existente que envolve a aplicação de tecnologias na área da saúde, devendo este valor ser totalmente investido em esforços de combate à COVID-19.

"Esse projeto é desenvolvido por uma rede de instituições de grande prestígio nos países-membros do Mercosul, como é o caso da Fiocruz no Brasil. E a Fiocruz tem um papel muito importante na política externa brasileira há muitos anos."

Na União Europeia, bloco com o qual o governo Bolsonaro também teve problemas por conta de visões opostas em relação ao meio ambiente, também estão disponibilizando fundos para a América Latina, incluindo Brasil e Venezuela, que têm lideranças altamente contestadas pelos europeus.

"O bloco europeu segue a linha de que não será possível enfrentar essa pandemia de forma isolada, mas sendo necessário também direcionar todos os recursos possíveis para outros países", explica. 

​No caso dos BRICS, embora a China, mais rica do grupo e segunda maior potência mundial, tenha sido alvo de inúmeros ataques por parte de autoridades da atual administração brasileira, conseguiu-se aprovar um importante programa de assistência emergencial para a luta contra o novo coronavírus, e "o Brasil poderá acessar esse fundo mesmo com os últimos entraves diplomáticos que ocorreram".

"Mas também há fundos em diversos outros organismos multilaterais e bilaterais que estão sendo disponibilizados. E o critério para acessar esses fundos nunca será qual é a linha ideológica de um governo. Os critérios são sempre técnicos e, certamente, serão ainda mais rígidos, já que os recursos estão ainda mais escassos." 

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