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Comitê judaico dos EUA exige desculpas de Ernesto Araújo por analogia com campos de concentração

© Folhapress / Paulo Guereta / Photo PremiumChanceler Ernesto Araújo ao lado do presidente Jair Bolsonaro em São Paulo
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A fala na semana passada do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, comparando o isolamento social para conter a COVID-19 aos campos de concentração nazistas gerou reações nos Estados Unidos, com a exigência de pedido de desculpas pelo chanceler.

O Comitê Judeu Americano, uma das principais associações para defender os direitos do povo judeu, classificou como "profundamente ofensiva e totalmente inapropriada" a postagem de Araújo em seu blog pessoal, no último dia 22 de abril.

"Esta analogia, usada por Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores do Brasil, comparando medidas de distanciamento social aos campos de concentração nazistas é tanto profundamente ofensiva quanto completamente inapropriada", escreveu o comitê nesta terça-feira (28) em sua página no Twitter.

No seu texto pessoal, Araújo criticou um livro escrito pelo filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek, e redigiu que "arbeit macht frei" (o trabalho liberta, em alemão) deveria ser o lema correto da nova era de solidariedade global e que agora se fará bom uso desta mentira.

"Os comunistas não repetirão o erro dos nazistas e desta vez farão o uso correto. Como? Talvez convencendo as pessoas de que é pelo seu próprio bem que elas estarão presas nesse campo de concentração, desprovidas de dignidade e liberdade", avaliou o chanceler brasileiro.

No mesmo texto, Araújo também refuta a legitimidade de organizações internacionais auxiliarem no combate à pandemia – no que parece ser uma crítica direta à Organização Mundial da Saúde (OMS) e à Organização das Nações Unidas (ONU).

© REUTERS / Pawel UlatowskiFoto da placa "Arbeit macht frei" (o trabalho liberta) no portão principal do antigo campo de concentração e extermínio nazista alemão Auschwitz
Comitê judaico dos EUA exige desculpas de Ernesto Araújo por analogia com campos de concentração - Sputnik Brasil
Foto da placa "Arbeit macht frei" (o trabalho liberta) no portão principal do antigo campo de concentração e extermínio nazista alemão Auschwitz

O mais alto diplomata do Itamaraty no momento ainda declarou que o novo coronavírus é parte de um "projeto globalista" e que integra um "estágio preparatório comunismo", classificando assim a pandemia como "comunavírus", dentre outras teorias conspiratórias.

Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, no Brasil outras entidades também condenaram a comparação feita pelo chanceler do governo do presidente Jair Bolsonaro com menção aos campos de concentração nazistas, que mataram milhões de judeus em 1939 e 1945.

"Impressiona o uso excessivo e absurdo que membros do atual governo brasileiro fazem do nazismo e do Holocausto. Desde as afirmações do atual presidente de que o nazismo seria de esquerda [feitas em frente ao Museu do Holocausto, em Jerusalém] até a reprodução do discurso do ministro da propaganda nazista pelo ex-secretário especial de Cultura, os absurdos se multiplicam", destacou o Instituto Brasil-Israel em uma nota à publicação.

Em 2019, Araújo e Bolsonaro visitaram Jerusalém, a convite do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, e associaram o Partido Nazista de Adolf Hitler à esquerda – fato historicamente refutado por historiadores ao longo de décadas.

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