PF não é 'intocável' e deve seguir 'comando político', diz analista sobre planos de Bolsonaro

© Folhapress / Pedro Ladeira O presidente Jair Bolsonaro com o ministro da Justiça, Sergio Moro, em cerimônia em Brasília
 O presidente Jair Bolsonaro com o ministro da Justiça, Sergio Moro, em cerimônia em Brasília - Sputnik Brasil
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A Sputnik Brasil ouviu dois especialistas para comentar os nomes mais cotados na dança das cadeiras em Brasília: Jorge Oliveira, possível novo ministro da Justiça, e Alexandre Ramagem, cotado para chefiar a Polícia Federal (PF).

Ramagem é o atual diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e cuidou da segurança do então presidenciável Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018. Ele também esteve ao lado do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) no Ano Novo de 2019, conforme registro publicado na rede social de Carlos. 

Com 47 anos, Ramagem é o favorito para ocupar o cargo do delegado Maurício Valeixo, que foi pivô da crise que resultou na saída de Sergio Moro do governo Bolsonaro. 

Segundo o ex-juiz da Lava Jato, o presidente quer mudar o comando da PF para ter acesso a informações sigilosas

Em entrevista à Sputnik Brasil, o coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo e ex-secretário Nacional de Segurança Pública José Vicente da Silva afirma que a PF não é "intocável" e que o Presidente da República pode fazer alterações na entidade. 

"Existe essa ideia da Polícia Federal ter autonomia em relação ao governo, isso não existe em lugar nenhum do mundo. Já tivemos escândalos homéricos na CIA, eles cometeram abusos, o FBI também cometeu muitos abusos. Essas entidades e forças precisam de comando político", avalia Silva.

Para substituir Moro, o mais cotado no momento é Jorge Oliveira, hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Segundo o G1, o pai de Oliveira trabalhou por duas décadas com Jair Bolsonaro. Advogado, Oliveira já foi chefe de gabinete do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) — e também foi seu padrinho de casamento. 

Para o cientista político Paulo Baía, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a proximidade de Oliveira com a família presidencial pode fazer com que sua indicação seja questionada pelo Judiciário, tal qual ocorreu quando a então presidente Dilma Rousseff (PT) escolheu Lula para ser Ministro da Casa Civil. A indicação da petista foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

"Oliveira fez sua carreira toda como assessor parlamentar e exerce as funções diretamente de assessoria a Jair Bolsonaro como secretário da Presidência", diz Baía à Sputnik Brasil. "É um nome que é questionado no meio jurídico, mas se afina com a vontade de Bolsonaro."

Porém, a aposta em Oliveira, cotado como favorito à chefia do Ministério da Justiça e Segurança Pública no momento da publicação desta matéria, não se concretizou. Na madrugada desta terça-feira (28), as nomeações de André Mendonça, que ocupava a chefia da Advocacia-Geral da União (AGU), para o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública e de Alexandre Ramagem para Diretoria-Geral da Polícia Federal foram confirmadas no Diário Oficial da União.

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