Misterioso meteorito teria sobrevivido a intempéries e à loucura humana

CC BY-SA 3.0 / Shane.torgerson / CrateraCratera no estado do Arizona (EUA) surgida em resultado da queda de um meteorito (imagem referencial)
Cratera no estado do Arizona (EUA) surgida em resultado da queda de um meteorito (imagem referencial) - Sputnik Brasil
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A rocha com a história mais fascinante da Terra é um meteorito chamado de Tomanowos, que na extinta língua da tribo indígena Clackamas, do Oregon (EUA), significa "o visitante do céu".

Os Clackamas veneravam o meteorito, acreditando que ele veio para unir o céu, a terra e a água para seu povo.

Em um artigo publicado no site científico The Conversation, o geocientista Daniel García-Castellanos, do Instituto de Ciências da Terra Jaume Almera de Barcelona, na Espanha, tece várias considerações sobre o corpo extraterrestre e formula várias hipóteses.

Caído do espaço

Tomanowos é um meteorito de 15 toneladas que é feito, como a maioria dos meteoritos metálicos, de ferro com aproximadamente 8% de níquel misturado. Esses átomos de ferro e níquel formaram-se nos núcleos de grandes estrelas que terminaram suas vidas em explosões de supernovas, adianta o cientista.

Estas explosões maciças disseminaram pelo espaço sideral os produtos da fusão nuclear, elementos brutos que depois acabaram em uma nebulosa, ou nuvem de pó e gás, prosseguiu.

A fascinante história de uma rocha do espaço, um "visitante do céu", que atravessa a era do gelo, as cortes e acaba em museu de Nova York

Finalmente, os elementos foram unidos pela gravidade, formando os primeiros orbs planetários ou protoplanetas de nosso Sistema Solar, concluiu Castellanos a descrição de como tudo inicialmente se processou.

Segundo o geocientista, há cerca de 4,5 bilhões de anos Tomanowos fazia parte do núcleo de um desses protoplanetas, onde metais mais pesados, como ferro e níquel, se acumulavam.

Algum tempo depois, esse protoplaneta deve ter colidido com outro corpo planetário, colocando este meteorito e um número desconhecido de outros corpos à deriva no espaço, opinou o especialista.

Levado pela geleira

Impactos subsequentes entre diversos corpos celestes ao longo de bilhões de anos empurraram a órbita de Tomanowos na direção da órbita da Terra. Como resultado desta espécie de jogo de bilhar cósmico, como lhe chamou Castellanos, o meteorito Tomanowos penetrou na atmosfera da Terra há cerca de 17.000 anos, caindo sobre uma geleira no atual Canadá em plena Idade do Gelo.

Tomanowos, o meteorito com a história mais curiosa de sempre

Com o tempo, a geleira foi deslocando lentamente o meteorito até uma represa natural de gelo de 600 metros de altura, que sustinha o enorme lago de Missoula, situado no atual estado norte-americano de Montana.

Com a pressão e peso do meteorito, a barragem de gelo cedeu, provocando uma das maiores inundações da história da Terra, as chamadas enchentes do Missoula, equivalentes à força de milhares de cataratas do Niágara, acabando o meteorito submergido e levado pelas correntezas.

Meteorito em corte

Quando as águas da inundação recuaram, Tomanowos ficou preso no atual estado do Oregon, exposto aos elementos atmosféricos. Durante milhares de anos, a chuva reagiu com um mineral raro na Terra, mas comum em meteoritos – a troilite (FeS). A água dissolveu lentamente o ferro, formando as cavidades que hoje o meteorito apresenta, referiu o especialista.

O estudo sobre o meteorito originou uma das mais significativas mudanças de paradigma na geociência atual, a do reconhecimento que inundações catastróficas contribuem significativamente para a erosão e a evolução da paisagem.

Ficou assim explicado por que se encontram, por vezes, fósseis marinhos em altas altitudes, por exemplo.

Os índios Clackamas, ao instalarem-se na região, descobriram o meteorito. Como eles perceberam a origem extraterrestre da rocha continua a ser um mistério para a ciência. Tendo sido batizado de "visitante do céu", era alvo de adoração reverencial, segundo Castellanos.

Em 1902, um homem do Oregon chamado Ellis Hughes moveu secretamente o meteorito para suas próprias terras e o reivindicou como sua propriedade, começando a cobrar ingressos para quem quisesse vê-lo.

Acabou por ver a pedra apreendida pelo tribunal a mando da empresa dona do terreno de onde furtara o meteorito, que teve de defendê-lo à bala.

O misterioso corpo celeste está agora exposto no Museu Americano de História Natural em Nova York, sendo ainda hoje alvo de uma peregrinação anual de descendentes da tribo Clackamas.

Reconhecendo o significado espiritual do meteorito para os nativos do Oregon, o museu devolveu à tribo vários fragmentos do meteorito que haviam sido mantidos separados.

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