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Ministro da Saúde precisa se alinhar com Bolsonaro, sem ferir aspectos técnicos adotados, diz médico

© AFP 2022 / NELSON ALMEIDAPedestres usando máscaras em mercado de rua de São Paulo durante a pandemia de COVID-19 (foto de arquivo)
Pedestres usando máscaras em mercado de rua de São Paulo durante a pandemia de COVID-19 (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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O oncologista Nelson Teich assumiu na manhã desta sexta-feira (17) o comando do Ministério da Saúde, após crise política entre o seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta e o presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o médico Cláudio Crispi, Presidente do Instituto Crispi de Cirurgias Minimamente Invasivas, afirmou esperar que o novo ministro entre em sintonia com a Presidência, sem ferir os aspectos técnicos adotados na gestão anterior da pasta.

"Na verdade a gente estava gostando da condução do ministro Mandetta, mas o alinhamento dele com a parte econômica estava difícil. Se a mudança manter o aspecto técnico que a classe médica quer, e tiver algum alinhamento com a questão econômica, que também é muito importante, sem ferir os aspectos técnicos, eu acho que vai ser muito bom", disse o especialista.

O médico acrescentou que "as mudanças podem ser para o bem e também para o mal". No entanto, ele destacou que Nelson Teich é "uma pessoa respeitada, com uma formação boa, ligada à gestão e à parte médica". 

"Por isso estamos torcendo para que ele, de fato, siga o caminho que estava sendo tomado e que ele consiga um bom diálogo com o Executivo para que essas discussões que vem acontecendo acabem [...] Tudo que a gente não precisa neste momento de tanta angústia são as brigas que não levam a lugar nenhum. Então se a mudança é para apaziguar e para que nós possamos seguir dentro da ciência no combate à essa epidemia, acho que [a mudança] é bem-vinda. Nós precisamos de paz neste momento, em todos os sentidos", ponderou o entrevistado.

O doutor Cláudio Crispi acrescentou que o confinamento da população continua sendo necessário. A medida tem como objetivo dar tempo à rede pública e privada, que precisam se preparar para atender o alto número de pacientes.

Por outro lado, o médico alertou que o confinamento não vai levar à cura da COVID-19. A volta à normalidade só vai acontecer, disse o especialista, quando se formar a imunidade na população, pela vacina, ou quando quase mais de 50% ou 60% da população já tiver entrado em contato com a doença. 

Para ele, o processo todo pode levar mais de um ano e não será possível manter as pessoas isoladas por esse período prolongado. Por isso, Crispi considera necessário ampliar o número de testes para detecção da COVID-19 e pensar em estratégias graduais de retorno ao trabalho.

"Quem já tem anticorpos contra a doença não só não fica doente, como não transmite. Essas pessoas podem gradativamente voltar ao trabalho e exercer suas atividades. Precisamos testar a população com mais amplitude possível", conclui o médico.
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