Baixar salários de presidentes em prol da COVID-19? Debate recorrido na América Latina

© AP Photo / Victor R. CaivanoHomens, com máscaras para se proteger do coronavírus, protestam no centro de Buenos Aires, Argentina
Homens, com máscaras para se proteger do coronavírus, protestam no centro de Buenos Aires, Argentina - Sputnik Brasil
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A medida é impulsionada pelos governos da Colômbia, Uruguai, Equador e México, mas rechaçada pela Argentina, que a considera "demagoga".

O desprestígio generalizado pela classe política latino-americana se traduz, em meio à pandemia do coronavírus, em contestações de diversos setores para que os presidentes e os funcionários públicos em geral diminuam seus salários, de modo que estes recursos sejam destinados ao sistema de saúde.

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, recusou a ideia da diminuição salarial por considerá-la demagoga. Em seu país, a demanda de diminuição de pelo menos 30% dos salários da administração pública é originada nos setores da oposição, que até organizaram protestos com o tema "Baixem os salários".

​Não é justo que demitam pessoas! Também não é justo que financiem empresas. O que sim é justo é que deem o exemplo e que baixem seus salários! Políticos

Contudo, o presidente argentino advertiu, em entrevista ao portal El Cohete na segunda-feira (13), que os protestos não o afetavam e que não baixaria seu salário nem de nenhum funcionário.

Reações polêmicas

Parte da pressão pública em direção ao presidente se baseou na decisão tomada por Lacalle Pou no Uruguai, que impulsionou um projeto de lei que rebaixaria entre 5% e 20% os salários dos funcionários públicos durante dois meses para ter recursos, que financiem o Fundo Coronavírus, para compra de cestas básicas para famílias humildes.

"É o momento para todos nós nos esforçamos. Não vamos diminuir os salários de funcionários públicos e políticos para economizar: é para gastar. Isto é solidariedade pura com o povo […] sabemos que não é uma medida simpática, mas entendemos que é solidária [...]", afirmou Lacalle Pou.

A Confederação de Organizações de Funcionários do Estados (COFE) do Uruguai criticou a medida e se declarou em alerta ao reiterar que os cargos e respectivos salários foram conseguidos através de concursos públicos, que não podem ser desconsiderados.

No México, o descontentamento dos funcionários públicos foi latente quando López Obrador anunciou diminuição de seu salário e de funcionários públicos.

"Diferentemente de outras épocas, quando se pedia que o povo apertasse o cinto, agora é o governo que está apertando o cinto, continuando a desaparecer e desenterrar a corrupção, acabando com luxos e ostentações", afirmou o presidente mexicano, ainda que não tenha informado a diminuição salarial exata dos servidores públicos.

Enquanto isso, Iván Duque, presidente da Colômbia, foi mais preciso ao anunciar que ele e os funcionários do alto escalão colombiano destinarão, durante quatro meses, entre 10% e 15% de seus salários para apoiar os setores prejudicados pela pandemia. "Devemos ter uma mensagem de consciência", afirmou o mandatário.

Já Lenín Moreno, presidente do Equador, um dos países latino-americanos mais afetados pelo coronavírus, anunciou cortes de 50% para enfrentar a proliferação da COVID-19 no país.

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