O que poderia desestabilizar 'bônus' da Argentina na luta contra COVID-19?

© AP Photo / Natasha PisarenkoFuncionário com traje de proteção realiza limpeza de metrô na capital argentina, Buenos Aires
Funcionário com traje de proteção realiza limpeza de metrô na capital argentina, Buenos Aires - Sputnik Brasil
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A Argentina cumpre um mês da aplicação das primeiras medidas do governo do presidente Alberto Fernández para limitar a circulação de pessoas e a entrada de infectados do exterior.

O confinamento tem sido eficaz para evitar a proliferação da COVID-19, o que leva as autoridades a manter as medidas em vigor, especialmente agora com a chegada do inverno.

"Achatar a curva" é o mantra que se repete desde 11 de março, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o coronavírus como pandemia. Dois dias depois, a Argentina tomou as primeiras medidas restritivas na América do Sul para proibir aglomerações e frear a chegada de aviões de regiões comprometidas.

No final do primeiro mês, as análises demonstram o êxito - ao menos provisório – na contenção da propagação do coronavírus quando se compara com os gráficos de países que registraram um crescimento exponencial de contágios.

​Não foi em vão ficar em casa.

"Desde o primeiro caso, que foi confirmado em 3 de março, temos uma circulação viral comunitária, que não sobrecarrega o sistema de saúde. Este é o resultado de termos feito este isolamento rigoroso desde o começo", disse à Sputnik Mundo Ricardo Teijeiro, médico integrante da Sociedade Argentina de Infectologia.

O Isolamento Social Preventivo Obrigatório, ainda vigente, foi estabelecido a nível nacional em 20 de março, mais de três semanas atrás e, segundo as estimativas oficiais, o pico dos contágios deve ocorrer na segunda quinzena de maio.

"O que buscamos é que em nenhum momento tenhamos um crescimento exponencial, mas sim uma circulação viral controlada, com uma quantidade de casos graves que não ultrapasse a oferta do sistema sanitário", explicou Teijeiro.

'Não vamos poder relaxar durante todo o inverno'

"É muito difícil saber até quando vão durar as medidas de isolamento, vai depender de como vai evoluir a situação epidemiológica. Depois [as medidas de isolamento] serão flexibilizadas gradualmente, sempre pensando que os pacientes de maior risco, como idosos e doentes crônicos, serão os últimos que poderão recuperar suas atividades sociais normais", antecipou Teijeiro.

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, confirmou em 11 de abril que a quarentena se estenderia até o dia 26 deste mês.

O país sul-americano está entrando no inverno, época em que se espera um acréscimo de contágios de outras infecções de transmissão comum, que podem, por um lado, elevar a saturação do sistema, por outro acelerar a propagação do vírus.

"Não podemos relaxar em nenhum momento durante todo o inverno, porque teremos uma alta circulação de todos os vírus e doenças respiratórias. Talvez, quanto termine a temporada, deixaremos a zona de risco, uma vez que [o vírus] não circulará fortemente, contudo, ainda não sabemos. Em alguns países do norte houve novos surtos, ainda que a taxa de ataque esteja caindo após três, quatro meses", disse o especialista.

As preocupações das autoridades estão voltadas aos bairros mais humildes e densamente povoados da região metropolitana de Buenos Aires, zona do país onde se concentra a maior quantidade de casos e mortos.

"O mais importante agora é ter a conduta e o compromisso, saber que o isolamento rigoroso é necessário. Não há dúvida que esta é uma medida de responsabilidade social e que depende de cada um de nós", finalizou.

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