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Ajuda do governo brasileiro a empresários dificilmente acalmará alguns setores, diz economista

© Folhapress / Fábio Vieira/FotoRuaPouco movimento de pedestres, alguns usando máscaras de segurança, e lojas fechadas na Avenida Paulista, na região central de São Paulo, na manhã deste sábado, 21, devido ao novo coronavírus, que transmite a COVID-19
Pouco movimento de pedestres, alguns usando máscaras de segurança, e lojas fechadas na Avenida Paulista, na região central de São Paulo, na manhã deste sábado, 21, devido ao novo coronavírus, que transmite a COVID-19 - Sputnik Brasil
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Governo está bem intencionado ao anunciar linha de crédito para empresários, mas falta planejamento e sobram incertezas em relação à crise do coronavírus, segundo disse economista à Sputnik Brasil.

Além disso, o especialista em finanças e custos gerenciais Fernando Dias Cabral alerta que, se alguns setores ficarão mais calmos com a ajuda, outros, como o varejo, continuarão em situação muito complicada.

Na sexta-feira (27) passada, o governo anunciou que liberará uma linha de crédito de R$ 40 bilhões para pequenas e médias empresas pagarem seus funcionários por dois meses.

O pacote será liberado em duas parcelas de R$ 20 milhões, e poderá pagar integralmente trabalhadores que recebem até dois salários mínimos. Serão beneficiadas empresas com rendimento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões por ano.

'Não dá para ter ideia se valor vai ser suficiente'

"Não dá para ter uma ideia se o valor vai ser suficiente. E também não temos noção de até quando vai a quarentena, que pode durar um período maior [do que dois meses]. Essa resposta ninguém tem", disse o economista e administrador de empresas.

Cabral também afirma que os efeitos positivos do pacote dependerá muito do setor do mercado.

"Existem muitas variáveis envolvidas. Uma muito relevante é a questão setorial. Certos setores da economia têm estrutura de custos onde a folha é extremamente representativa, e outros onde não é tanto", afirmou.

Por isso, o economista acredita que a linha de crédito vai "acalmar" principalmente o "segmento no qual há muita necessidade de mão de obra, como de terceirização, com folha de pagamento muito alta e valor pago aos profissionais geralmente de até dois salários mínimos".

'Muito difícil acalmar os ânimos'

Por outro lado, Cabral disse que "empresas de outros segmentos, como o varejo, onde a folha não é tão representativa quanto outros gastos, como o aluguel", o pacote pode não ajudar tanto. 

"Para esses vai ser muito difícil acalmar os ânimos", afirmou o especialista.

Segundo Fernando Dias Cabral, o governo "está bem intencionado e o pacote vai ajudar a manter as empresas vivas por mais algum tempo", embora não se saiba até quando.

"A engrenagem do sistema econômico parou, e o mercado está no mesmo compasso que o governo, não existe um planejamento, uma estratégia, para saber até onde esse problema do coronavírus vai nos levar", disse.
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