Bolsonaro tenta 'colocar crise no colo dos governadores', diz cientista política

© Folhapress / João Alvarez /Fotoarena Coletiva do governador de São Paulo João Doria sobre novas medidas de combate ao coronavírus.
 Coletiva do governador de São Paulo João Doria sobre novas medidas de combate ao coronavírus. - Sputnik Brasil
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O presidente Jair Bolsonaro faz uma aposta arriscada com sua atuação durante a pandemia do coronavírus e tenta associar a vindoura crise econômica aos governadores, avalia especialista ouvida pela Sputnik Brasil.

Apesar das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a importância de medidas de isolamento social para minimizar os efeitos do coronavírus, Bolsonaro tem apostado na direção contrária do consenso científico. O presidente defende que a COVID-19 é apenas uma "gripezinha" e critica os governadores por implantarem práticas de quarentena.

"Alguns vão morrer, vão morrer, lamento, é a vida. Não pode parar uma fábrica de automóveis porque tem mortes no trânsito", falou Bolsonaro em entrevista para o Brasil Urgente, da Band, na sexta-feira (27). 

A cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), avalia que o presidente tenta fazer com que a crise econômica que será criada pela pandemia seja associada aos governos estaduais. 

"Ele está jogando com algo que é seríssimo. Se muitas pessoas morrerem, ele não vai ter como se cacifar, mesmo jogando eleitoralmente, ou seja, ele está assinando embaixo também sua sentença de morte", diz Braga à Sputnik Brasil. 

Projeção do Imperial College prevê que caso o Brasil não adote nenhuma medida de isolamento social, a COVID-19 pode causar mais de um milhão de mortos no país. Já a previsão com medidas de afastamento social e testes massivos prevê 44,3 mil mortes.

Apesar da movimentação de Bolsonaro, Braga ressalta que o governador de São Paulo, João Doria, tem se fortalecido com os embates contra o presidente. "Doria se fortaleceu, ele foi para a linha de frente com esse último debate que a gente ouviu, tomando um posicionamento mais agressivo e propositivo em relação à crise", diz a professora da UFSCar. 

O líder tucano afirmou que Bolsonaro precisa "dar o exemplo" e tem sido um crítico vocal do Governo Federal. 

Além do posicionamento de Doria, a cientista política também destaca a atuação do governador de Goias, Ronaldo Caiado, e do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, como contraposição às medidas do Palácio do Planalto. 

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