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Ameaçado de morte, Doria diz que Bolsonaro 'lava as mãos para crise' da COVID-19

© AP Photo / Eraldo PeresGovernador de SP, João Doria, ao lado do presidente, Jair Bolsonaro, durante evento em Brasília antes do pleito de 2018 (foto de arquivo)
Governador de SP, João Doria, ao lado do presidente, Jair Bolsonaro, durante evento em Brasília antes do pleito de 2018 (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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O governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), acusou o presidente Jair Bolsonaro de ter "lavado as mãos", e não no bom sentido, para a crise do novo coronavírus no Brasil. O recente embate acalorado entre os dois gerou uma ameaça de morte contra o tucano.

Aliado de Bolsonaro nas eleições passadas, Doria veio rompendo gradativamente com o ex-deputado federal ao longo do ano passado, com o ápice se dando com a atual crise da COVID-19, na qual São Paulo é o estado com mais vítimas infectadas (3 mil) e mortes registradas (77).

Nesta semana, Bolsonaro e Doria tiveram um forte embate durante uma videoconferência para tratar do coronavírus entre o Executivo federal e os governadores da região sudeste. Enquanto o tucano pediu que o presidente lidere os esforços, o mandatário atacou Doria por estar politizando a situação de olho nas eleições de 2022.

Em entrevista à agência AFP, Doria garantiu que não está "preocupado com capital político", mas sim com "salvar vidas". Sobre o que poderia ser feito pelo governo federal, o governador de São Paulo avaliou que há uma série de mecanismos que não estão sendo usados.

"O Brasil tem mecanismos, principalmente se o governo federal agir, para lançar um programa de gastos emergenciais que garanta uma renda mínima para que os brasileiros possam passar pelos próximos quatro meses [...] E mesmo que o governo federal falhe para agir, cada governador saberá como acelerar", disse Doria.

O tucano voltou a acusar Bolsonaro pela sua falta de liderança, deixando o ônus para governadores e prefeitos.

© REUTERS / Pilar OlivaresRua de Niterói é desinfetada devido ao surto de coronavírus, 25 de março de 2020
Ameaçado de morte, Doria diz que Bolsonaro 'lava as mãos para crise' da COVID-19 - Sputnik Brasil
Rua de Niterói é desinfetada devido ao surto de coronavírus, 25 de março de 2020

"O presidente lavou as mãos da crise e não está liderando o país [...] Mas essa falta de liderança foi preenchida por governadores e prefeitos que trabalharam duro para garantir que estão cuidando dos pobres, desempregados, pequenas empresas e trabalhadores do setor informal", garantiu.

O governador paulista ainda garantiu que os governadores estão unidos em manter as medidas de distanciamento social, refutando os pedidos feitos por Bolsonaro para que o isolamento seja rompido no país.

"Houve uma falta real de liderança. O presidente desistiu de liderar o país em um momento muito difícil [...] Ele diz que o coronavírus é uma 'gripezinha' e acusa os governadores de paralisar o país. Mas a grande maioria das pessoas entende a importância desse período [de isolamento], que pode durar até o final de julho", completou.

Ameaça de morte

A polarização entre Bolsonaro e Doria fez com que o governador de São Paulo recebesse uma ameaça de morte. Além disso, ele recebeu mensagens em seu celular que o alertavam sobre uma invasão contra a sua casa, de acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo.

A segurança do governador foi reforçada e Doria fez um boletim de ocorrência que será investigada pela Polícia Civil. Segundo a Folha, citando assessores do tucano, as ameaças teriam partido de um movimento bolsonarista, este liderado pelo filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC).

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