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Polêmica de Eduardo Bolsonaro com China pode prejudicar relações com o Brasil?

© AP Photo / Evan VucciDa esquerda para a direita: o chanceler, Ernesto Araújo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, e o assessor presidencial de política externa, Filipe Martins. Foto feita na Casa Branca em 30 de agosto de 2019.
Da esquerda para a direita: o chanceler, Ernesto Araújo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, e o assessor presidencial de política externa, Filipe Martins. Foto feita na Casa Branca em 30 de agosto de 2019. - Sputnik Brasil
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O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), na última quarta-feira (18), sugeriu através do Twitter que a culpa da pandemia do coronavírus seria da China. A postagem provou forte reação de repúdio da embaixada chinesa no Brasil.

Nesta quinta-feira (19), o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, publicou uma nota afirmando que as críticas de Eduardo Bolsonaro ao governo chinês "não refletem a posição do governo brasileiro", mas disse que a reação do embaixador chinês foi desproporcional.

​O presidente da Frente Parlamentar Brasil-China e da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, Fausto Pinato (PP-SP), em entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que o Brasil "não tem nada a ganhar" com uma crise com o país asiático.

"O Eduardo tem umas pautas que eu concordo, mas nessa fala eu acho que ele foi muito infeliz, porque estamos numa crise iminente, de desemprego, de recessão, por causa do coronavírus [...] e a China é o maior investidor, responsável pela balança comercial", disse.

O presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados observou que a China está combatendo e controlando o coronavírus, próxima de criar a vacina com equipamento de ponta, o que pode ajudar o Brasil.

"Eu acho que tinha que ter uma retratação, do próprio Eduardo, que é um cara consciente, e do próprio presidente da República", frisou Fausto Pinato.

De acordo com ele, a posição de Eduardo Bolsonaro em relação à China pode ter sido influenciada pela aproximação do governo brasileiro com a administração norte-americana de Donald Trump.

"Eu aplaudo a aproximação do Bolsonaro com os EUA, estava muito distante, mas a gente tem que pensar na soberania do país e no interesse do país. Hoje quando a gente coloca na ponta do lapis, é muito mais importante a parceria comercial e estratégica com a China, pra gerar emprego, desenvolver o país, do que os EUA, que concorrem na mesma raia que nós, com o etanol, agronegócio", declarou.

"Nós exigimos responsabilidade por parte do governo de manter uma parceria tão importante estrategicamente num momento tão difícil que o país está passando", acrescentou.

Brasil sofre risco de retaliação da China?

Ao comentar se existe um risco de uma deterioração das relações entre os dois países, o presidente da Frente Parlamentar Brasil-China afirmou que a "China é muito cautelosa" e uma retratação do governo brasileiro já melhoraria a situação.

De acordo com ele, "com certeza a China não vai retaliar o país", mas considerou a possibilidade de abalar alguns investimentos chineses no Brasil que estavam em andamento.

"Pode sim, indiretamente, afetar a confiança do governo chinês no próprio projeto dos BRICS [...] Qual o grau de confiança que eles vão ter em nosso país, tendo em vista um ataque da China diretamente e indiretamente quando ele [Eduardo Bolsonaro] posta falando de Chernobyl?", destacou.

"Nós temos que entender o seguinte, o Brasil é uma democracia, eu sou um grande defensor da democracia. Agora, em relação aos outros países, não cabe a nós saber se é monarquia, se é comunismo, tem que ver a balança comercial e ver o que dá lucro pro nosso país", completou Fausto Pinato.

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