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Mandetta, o superministro que não obedece a Bolsonaro?

© REUTERS / Adriano MachadoMinistro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, durante conferência sobre primeiro caso do coronavírus no Brasil
Ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, durante conferência sobre primeiro caso do coronavírus no Brasil - Sputnik Brasil
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"Inútil", "Irresponsável" e "isolado" foram adjetivos usados por parlamentes e especialistas entrevistados pela Sputnik Brasil para classificar o comportamento de Jair Bolsonaro na crise do coronavírus.

Por outro lado, a pandemia da COVID-19, nome da doença provocada pelo vírus, alçou ao protagonismo político um ministro até então discreto, Luiz Henrique Mandetta, que vem tendo desempenho elogiado até por críticos do governo.

Segundo o deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ), o ministro da Saúde "tem tido uma atuação técnica positiva, que destoa dos outros ministros e do presidente".

"Ele tem assumido um papel de liderança essencial num momento de crise, deixando as pessoas informadas", afirmou o parlamentar à Sputnik Brasil.

'Sabotado pelo presidente'

"Acho que por isso está sendo sabotado pelo presidente", opinou o deputado. Segundo matéria publicada na Folha de S.Paulo, Bolsonaro estaria cobrando de Mandetta um discurso mais afinado ao seu.

Nos primeiros momentos da pandemia, o chefe de Estado disse que havia uma "histeria" sobre o coronavírus e que o problema estava sendo "superdimensionado". Depois, passou a reconhecer a gravidade da situação.

© REUTERS / Adriano MachadoMinistro da Economia, Paulo Guedes, e presidente Jair Bolsonaro com máscaras durante coletiva de imprensa sobre coronavírus
Mandetta, o superministro que não obedece a Bolsonaro? - Sputnik Brasil
Ministro da Economia, Paulo Guedes, e presidente Jair Bolsonaro com máscaras durante coletiva de imprensa sobre coronavírus

O especialista em infectologia e saúde pública Gerson Salvador disse que o Ministério da Saúde e Mandetta "têm divulgado os casos de coronavírus de maneira bastante transparente, tomando medidas baseadas em evidências e suportadas pela equipe técnica, que é bastante competente".

"As campanhas de higiene das mãos e para desmitificar fake news são todas razoáveis e em acordo com o que outros países têm feito, com diferentes graus de sucesso. Estamos vivendo uma pandemia, a própria OMS [Organização Mundial da Saúde] diz que não é possível evitar que o vírus circule, as estratégias são para mitigar os efeitos do vírus", disse à Sputnik Brasil.

'Travados pela postura do Bolsonaro'

Mas para o ex-ministro da Saúde e deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), a pasta e seu ministro "estão travados pela postura de Bolsonaro, que trata a pandemia do coronavírus como se fosse uma fantasia, como ele mesmo disse, ou uma histeria de governadores e profissionais da área de saúde".

"Diariamente o Ministério e Mandetta têm que apagar incêndios provocados pelo presidente Bolsonaro", disse Padilha à Sputnik Brasil.

Para o petista, o comportamento do presidente faz com que o governo não consiga disponibilizar mais leitos em hospitais, colocar mais médicos em unidades de saúde básica e reforçar a capacidade de realização de diagnósticos e de acesso aos medicamentos.  

'Psicopatia do presidente'

Se elogia o ministro da Saúde, Calero disse que Bolsonaro tem se mostrado um "completo inútil" diante do quadro atual, crise que demonstraria sua "total incapacidade".

"A situação mostra a psicopatia do presidente, ele não suporta ninguém que possa lhe fazer sombra. Quem tem visões diferentes da dele é alvejado. Não está preocupado com questões técnicas, está preocupado com o poder, quer politizar a situação. Vê que o Mandetta é respeitado e se incomoda", afirmou o ex-mininstro da Cultura.

"Na crise os lideres crescem. Todos os defeitos que as pessoas não viam em Bolsonaro durante a campanha e durante o primeiro ano de mantado estão sendo revelados", acrescentou.

Alexandre Padilha, por sua vez, argumentou que Bolsonaro está ficando "isolado da sociedade", e também considerou que não tem capacidade de "liderança".

"Bolsonaro não respeita o isolamento sanitário que lhe é estabelecido, e acaba abraçando um isolamento político e social. Cada vez mais, só consegue liderar para sua base mais fundamentalista, terraplanista, obscurantista, não dá conta de liderar o país nesse momento grave do ponto de vista econômico e sanitário, que exige uma liderança que agregue o pais, que lidere os atores econômicos e sociais para o enfrentamento dessa crise", criticou Padilha. 

'Está atrapalhando'

O infectologista Gerson Salvador concorda com o argumento de que o presidente tem atrapalhado na gestão da pandemia do coronavírus.

"Não é que ele pode atrapalhar, ele está atrapalhando. Está sendo absolutamente irresponsável, quando menospreza os efeitos da pandemia nas suas redes sociais e ao ter ido em um ato público quando o Ministério da Saúde recomendou que as pessoas evitassem aglomerações", disse o especialista.
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