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Brasil precisa criar 'colchão social' para proteger trabalhadores do coronavírus, diz sociólogo

© Folhapress / Mateus Bonomi/Agif/Mulher utiliza máscara de proteção facial como prevenção ao contágio do novo coronavírus (Covid-19) e realiza higienização em um ônibus na Rodoviária Central de Brasília (DF), nesta quarta-feira (18).
Mulher utiliza máscara de proteção facial como prevenção ao contágio do novo coronavírus (Covid-19) e realiza higienização em um ônibus na Rodoviária Central de Brasília (DF), nesta quarta-feira (18).  - Sputnik Brasil
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Na desigual sociedade brasileira, os pobres e trabalhadores informais pagarão com mais vidas durante a pandemia do coronavírus, avalia sociólogo ouvido pela Sputnik Brasil.

De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem mais de 38 milhões de pessoas trabalhando sem carteira assinada. A parcela responde por pouco mais de 40% do total dos empregados no país. 

Com as medidas de restrição social e a diminuição da circulação das pessoas pelas cidades, esse segmento dos trabalhadores terá sua renda afetada. 

Para tentar contornar a situação da pandemia, que é global, governos do mundo todo buscam injetar recursos em seus mercados domésticos.

No Brasil, foram anunciadas medidas que podem injetar até R$ 169,6 bilhões na economia. Algumas das ações previstas são: antecipar o 13° dos aposentados e pensionistas, redirecionar o PIS/Pasep para o FGTS, abono salarial e pagamento de vales mensais de R$ 200 por três meses para trabalhadores informais. 

Contudo, na avaliação de estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), as medidas são insuficientes para colocar a economia brasileira de volta nos trilhos. Segundo o órgão, o governo de Jair Bolsonaro "insiste na pauta liberalizante e de contenção fiscal, ao contrário do resto do mundo".

Em entrevista à Sputnik Brasil, o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Júnior, afirma que o momento é de "proteger o conjunto da classe trabalhadora", mas a profunda desigualdade social brasileira fará com que a COVID-19 afete de maneira diferente os estratos sociais brasileiros. 

 "Temos pessoas nas periferias que não tem acesso à água encanada, ou a água encanada falta o dia inteiro" diz Augusto Júnior. "O esgotamento sanitário no Brasil é muito pior do que, por exemplo, na Itália, que tem o surto mais complicado nesse momento. Quando vamos olhar para uma pandemia desse jeito, vamos sentir como nossa desigualdade, não só no mundo do trabalho, mas a desigualdade de vida, de condições de vida, moradia e alimentação vão se apresentando. Essa crise vai penalizar os mais pobres e explicitar a desigualdade que o Brasil vive."

O Brasil é o 9º país mais desigual do planeta, segundo classificação do Banco Mundial

"Caminhamos para uma recessão global, e para fazer a economia do mundo voltar a girar, se [a crise] for como está sendo desenhada, vai ser muito custoso por um lado, vai cobrar um preço geral dos países por outro. As populações mais carentes dos países em desenvolvimento certamente serão mais afetadas", diz Augusto Júnior.

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