Coronavírus: especialista da ONU pede que Coreia do Norte aceite ajuda externa

© AP Photo / Vincent ThianBandeira da Coreia do Norte exposta na embaixada do país em Kuala Lumpur, na Malásia
Bandeira da Coreia do Norte exposta na embaixada do país em Kuala Lumpur, na Malásia - Sputnik Brasil
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Um especialista em direitos da ONU pediu nesta segunda-feira que a Coreia do Norte forneça acesso a especialistas médicos externos em meio à preocupação com o impacto que o novo coronavírus poderia ter sobre a população desnutrida.

A Coreia do Norte "deve permitir acesso total e sem impedimentos a especialistas médicos e atores humanitários", declarou Tomas Ojea Quintana, relator especial das Nações Unidas sobre direitos humanos no país.

Ele também pediu uma "revisão" das sanções punitivas impostas à Coreia do Norte, insistindo que "um maior isolamento do país não é a resposta".

A Coreia do Norte não confirmou um único caso de COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus que infectou mais de 110.000 pessoas e causou mais de 3.800 mortes em todo o mundo, incluindo um grande surto na vizinha Coreia do Sul.

O líder do país, Kim Jong-un, alertou no mês passado de "sérias consequências" se o vírus chegasse ao seu país. O país, que já tem que enfrentar sanções internacionais imponentes, impôs regras rígidas, incluindo o fechamento de suas fronteiras e o isolamento de milhares de pessoas.

A ONU estima que mais de 43% da população de lá é desnutrida e muitos não têm acesso a água e saneamento adequados, e Quintana manifestou profunda preocupação com a perspectiva de um surto de COVID-19 na Coreia do Norte.

© REUTERS / KCNALíder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, supervisiona teste militar em uma localidade não identificada, 2 de março de 2020
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Líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, supervisiona teste militar em uma localidade não identificada, 2 de março de 2020
"Muitos norte-coreanos estão desnutridos, sofrem crescimento atrofiado e, portanto, mais vulneráveis se infectados", avaliou ele ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Ao mesmo tempo, ele destacou, o país "possui apenas capacidades médicas limitadas", com muitas de suas necessidades mais críticas de assistência médica fornecidas por ONGs internacionais.

Falando aos jornalistas, ele também expressou alarme sobre a situação na rede de campos prisionais do país. As pessoas estariam em "risco crítico se houver um surto no país", acrescentou.

Um relatório histórico de 2014 de uma Comissão de Inquérito da ONU acusou a Coreia do Norte de violações "sistemáticas, generalizadas e grosseiras" dos direitos humanos, estimando que ela contenha 120 mil pessoas nos campos secretos.

Quintana disse que não tinha informações sobre o número atual de prisioneiros.

Diante de um potencial surto de COVID-19, ele pediu a Pyongyang que "relaxasse as restrições de acesso à informação" e abrisse as portas para as equipes médicas internacionais.

Ele também pediu à comunidade internacional que procure "oferecer assistência médica e científica" para ajudar a Coreia do Norte a preparar e lidar com um possível surto.

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