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Correios é importante demais para sair das mãos do Estado, defende funcionário

© Folhapress / Fotoarena / Henry MilleoServidores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado nesta quarta-feira (11 de setembro de 2019). Os servidores reivindicam um reajuste que cubra a inflação do período, que é de 3,25 por cento e contra o corte de direitos.
Servidores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado nesta quarta-feira (11 de setembro de 2019). Os servidores reivindicam um reajuste que cubra a inflação do período, que é de 3,25 por cento e contra o corte de direitos.  - Sputnik Brasil
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A Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (Fentect) está estudando a realização de uma greve nacional da categoria, contra a privatização da estatal e as atuais condições de trabalho dos funcionários.

No ano passado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, indicou os Correios como uma das empresas na lista das privatizações. Atualmente, os trabalhadores da companhia alegam que vêm sofrendo ataques para facilitar esse processo, como a destruição do plano de saúde da categoria e o aumento do repasse do funcionário para o plano. Eles se queixam ainda do longo período sem concurso público e do aumento no número de terceirizados, afirmando que, ainda assim, a quantidade de pessoal não é suficiente para dar conta do alto volume de serviços. 

​Em entrevista à Sputnik Brasil, o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo da Silva, explicou que estão programadas para amanhã assembleias nacionais para discutir a questão da greve e a possível adesão da categoria ao Dia Nacional de Lutas, programado para o próximo dia 18, em um grande movimento unificado com outras centrais sindicais.

"No momento, no país, tem a necessidade de a classe trabalhadora, como um todo, construir a unificação para enfrentar e resistir ao governo Bolsonaro, que vem tirando os direitos, com suas reformas, tirando direitos das classes trabalhadoras. E nós, nos Correios, temos direitos atacados através da direção dos Correios", afirma Silva.

O sindicalista destaca que vem trabalhando junto ao Congresso para conscientizar deputados e senadores da importância de se manter os Correios como uma empresa estatal, citando seu papel social e seu poder de integração, como ocorreu na distribuição gratuita de donativos a pessoas afetadas pelas recentes chuvas que devastaram regiões de Minas Gerais e do Espírito Santo, por exemplo.

"Se o governo federal quisesse usar os Correios para melhorar a vida das pessoas, para ter acesso a tudo que o governo oferece, para ter acesso a cidadania, para outros programas do governo federal, como entrega de medicamentos, como uma série de fatores, políticas sociais que o governo tem insistido em diminuir, os Correios poderiam fazer esse papel. A empresa é muito importante para o país." 

Seguindo no mesmo raciocínio, o secretário-geral da Fentect argumenta que, ao contrário das companhias privadas que atuam nesse setor, os Correios não estão preocupados em colocar o lucro acima de tudo. Segundo ele, o governo não tem proposto nenhum debate qualificado para justificar a privatização de uma estatal que, "há mais de 350 anos", vem sendo construída por "seus trabalhadores", "para ela se tornar a empresa que é".

"E, diga-se de passagem, nesse período todo, sem o governo federal colocar recursos. É uma empresa que sobrevive da própria produtividade dos seus funcionários, prestando um bom serviço à população brasileira."

Em nota enviada à Sputnik, a Assessoria de Imprensa dos Correios afirmou que segue cumprindo as decisões judiciais acerca do plano de saúde dos empregados e, assim, entende não haver há "motivos para a paralisação anunciada".

"Se constatado algum movimento abusivo de paralisação, a empresa tomará as medidas cabíveis. Reiteramos que no momento, as agências estão funcionando regularmente, bem como a entrega de cartas e encomendas", diz o comunicado.

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