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Expedição brasileira à Antártica alerta sobre aumento do número de turistas na região

© César de Castro Martins/acervo pessoalPesquisadores brasileiros na Antártica
Pesquisadores brasileiros na Antártica  - Sputnik Brasil
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Especialistas apontam para a necessidade de regulamentar o turismo na Antártica para evitar impactos negativos no futuro.

Depois de 20 dias na Antártica a bordo do Navio Polar Almirante Maximiano (H-41), a equipe de pesquisadores liderada por César de Castro Martins, professor do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), retornou ao Brasil.

Durante o período em que esteve no continente, o grupo coletou amostras de água e de sedimentos com o objetivo de pesquisar o elemento químico carbono, suas formas e seu papel na modificação do ambiente antártico com base nas alterações ambientais, humanas ou naturais.

A equipe verificou o incremento do fluxo turístico para a região. Em apenas uma das áreas visitadas, a ilha Decepção, ocorreu um aumento de 5 vezes no número de turistas em um período de 10 anos. Entre 2007 e 2008, cerca de 5 mil pessoas passavam pela ilha, e atualmente 25 mil escolhem o local como destino turístico a cada ano.

O turismo aumenta a queima de combustíveis fósseis, consumidos pelos navios, e a liberação de substâncias químicas utilizadas pelas pessoas. O protetor solar, produto indispensável na Antártida devido ao alto nível de radiação, é um exemplo de substância lançada no ambiente pelos visitantes, alertou o pesquisador César de Castro Martins.

Ele destacou para a Sputnik Brasil que se trata de números aproximados, pois ainda não há um órgão responsável por calcular o número de visitantes na região. No entanto, o aumento da prática é perceptível a olho nu.

© César de Castro Martins/acervo pessoalPesquisadores brasileiros na Antártica, a bordo do Navio Polar Almirante Maximiano (H-41), realizaram coleta de água e de sedimentos
Expedição brasileira à Antártica alerta sobre aumento do número de turistas na região - Sputnik Brasil
Pesquisadores brasileiros na Antártica, a bordo do Navio Polar Almirante Maximiano (H-41), realizaram coleta de água e de sedimentos

"A gente visualizou diversos navios de médio porte, de 500 passageiros. Ainda é um turismo muito caro e o público principal acaba sendo de europeus e asiáticos", acrescentou o especialista.

Para ele, esse tipo de atividade tende a crescer, pois os atrativos do continente gelado são muitos.

"O interesse se dá porque a Antártica é um dos ambientes mais preservados que a gente tem no planeta. O fato de ter uma fauna característica daquela região, como pinguins, baleias e focas também tem atraído as pessoas para essa região", explica o cientista.

O acadêmico lembrou que a Antártica é um território neutro e "o turismo ainda está passando por um período de regularização". Segundo ele, em função do tamanho da Antártica, as marcas do turismo ainda não são muito aparentes, mas a intensidade atual já "liga o alerta para o que pode acontecer nos próximos anos".

Estação Brasileira

Apesar da pesquisa ter sido realizada a bordo do Navio Polar Almirante Maximiano (H-41), a equipe teve a oportunidade de visitar a recém-inaugurada Estação Antártica Comandante Ferraz, que agradou os pesquisadores.

"A nova estação brasileira é muito moderna, tem fontes de energia sustentáveis, o que minimiza o impacto sobre o ambiente, e também laboratórios novos, equipados com os recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Então acredito que nos próximos anos a estação vai ser fundamental para um salto qualitativo das pesquisas antárticas que estão sendo desenvolvidas aqui no Brasil", disse César de Castro Martins.

Para ele, a nova base e a retomada das pesquisas são extremamente importantes e permitem formar toda uma nova geração de pesquisadores antárticos.

"A pesquisa antártica brasileira é muito reconhecida pela comunidade científica mundial e é uma questão estratégica também. O Brasil é um país signatário do tratado da Antártica e tem o direito de tecer opiniões e de decidir sobre o futuro desse continente. A manutenção da pesquisa nesse continente permite ao Brasil estar no centro das discussões sobre o futuro dessa região", concluiu o entrevistado.
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