Mídia descobre vigilância de meio século da CIA sobre correspondência secreta de 130 países

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Serviços secretos americanos e alemães espionaram mais de 100 países durante anos através de uma empresa suíça especializada em encriptação de conversas, segundo apuraram várias pesquisas.

A revelação foi feita esta terça-feira (11) pela mídia destes três países.

A CIA e o BND (inteligência alemã) andaram espionando não só seus inimigos, mas inclusive seus próprios aliados, usando equipamento de criptografia desenvolvido por uma empresa suíça da qual ambos eram os proprietários ocultos, anunciou a AFP com base em várias pesquisas.

A empresa em causa, Crypto AG, tornou-se líder de mercado em equipamentos de criptografia logo após a Segunda Guerra Mundial, vendendo até há bem pouco tempo seus equipamentos para mais de 120 países e faturando milhões de dólares, informou o Washington Post.

Esta revelação do diário norte-americano foi fruto de uma sua pesquisa realizada em parceria com a estação de televisão alemã ZDF e a estação de rádio e televisão suíça SRF.

Eram seus clientes, entre outros, houve "o Irã, as juntas militares da América Latina, a Índia, o Paquistão, e até mesmo o Vaticano", informou o Washington Post.

Adquirida pela CIA

A Crypto AG viria, contudo, a ser comprada secretamente pela CIA em 1970 como parte de uma "parceria altamente confidencial" com o BND, o serviço de inteligência alemão.

Os alemães abandonariam a empresa no início dos anos 90 do século passado, mas a CIA só revenderia a Crypto em 2018.

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Durante a parceria, as duas agências de contraespionagem "manipularam os equipamentos da empresa para decifrar facilmente os códigos que os países (clientes) usavam para enviar mensagens criptografadas", prosseguiu o Washington Post.

Dessa forma, conseguiram por exemplo monitorar a crise dos reféns na embaixada americana em Teerã em 1979, fornecer informações sobre o Exército argentino ao Reino Unido durante a Guerra das Malvinas e acompanhar as campanhas de assassinatos políticos movidas por ditadores sul-americanos.

Conseguiram mesmo detectar altos responsáveis líbios se felicitando após o ataque a uma discoteca em Berlim Ocidental em 1986, que matou dois soldados americanos, segundo o Washington Post.

O golpe do século

A operação, denominada "Thesaurus" e posteriormente "Rubicon", foi considerada pela própria CIA como "o golpe do século da inteligência" em um relatório da agência de 2004 consultado pelos autores da pesquisa.

Eles também tiveram acesso a uma série de documentos dos serviços de inteligência alemães datados de 2008.

A CIA e o BND declinaram comentar esta pesquisa, contudo sem negar a autenticidade dos documentos, de acordo com o Washington Post.

O ex-coordenador da inteligência alemã Bernd Schmidbauer confirmou a existência desta parceria à ZDF, defendendo que a operação "Rubicon" tinha tornado o mundo um pouco mais seguro.

A empresa sueca Crypto International, que adquirira a Crypto AG em 2018, considerou a pesquisa "muito alarmante", assegurando não ter absolutamente "nenhuma ligação com a CIA ou o BND", concluiu o Washington Post.

As autoridades suíças confessaram à AFP, nesta terça-feira (11), que já haviam aberto no dia 15 de janeiro passado um inquérito sobre a matéria.

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