Analista diz que enfraquecimento do PSL é 'consequência lógica' da saída de Bolsonaro

© Folhapress / Pedro LadeiraO presidente Jair Bolsonaro acompanhado do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e do fundador da Havan, Luciano Hang, durante 1ª Convenção Nacional do partido Aliança pelo Brasil, realizada no Royal Tulip, em Brasília
O presidente Jair Bolsonaro acompanhado do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e do fundador da Havan, Luciano Hang, durante 1ª Convenção Nacional do partido Aliança pelo Brasil, realizada no Royal Tulip, em Brasília - Sputnik Brasil
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Sem o presidente Jair Bolsonaro em seus quadros, o PSL poderá perder postos importantes na Câmara dos Deputados. Bolsonaro quer lançar seu próprio partido, batizado de Aliança pelo Brasil.

De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, deputados do centrão buscam diminuir o alcance do ex-partido presidencial. O PSL ocupa a presidência de três comissões: Comissão de Controle e Justiça (CCJ), Relações Exteriores e Fiscalização Financeira.

A CCJ é a mais importante das comissões da Câmara dos Deputados já que todos os projetos precisam de seu aval para tramitar.

"O tamanho e o espaço do PSL terão de ser readequados", disse o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) à Folha de S. Paulo. 

O cientista político e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer avalia que a pressão é uma "consequência lógica do enfraquecimento" do PSL com a perda de cadeiras causada pela saída de Bolsonaro.

O PSL é a segunda maior bancada da Câmara, mas pode perder até 30 de seus 52 deputados para a Aliança de Bolsonaro. A maior bancada da Câmara é do Partido dos Trabalhadores (PT)

"Se o centrão se manter coeso, pode fortalecer o governo na Câmara. Eu não sei se isso vai acontecer também no Senado porque o PSL não tem uma bancada muito grande no Senado, mas isso pode reorganizar a base de apoio de Bolsonaro dentro da Câmara", diz Fleischer à Sputnik Brasil.

O deputado Jerônimo Goergen é integrante de um dos partidos do centrão, o Partido Progressista (PP), mas esclarece que vê sua postura como "independente" da orientação partidária. Em entrevista à Sputnik Brasil, Goergen diz que será difícil o PSL resistir à ofensiva que enfrentará.

"Toda ação tem uma reação, uma consequência que foi causada pelo próprio PSL, essa briga que eles fizeram, a criação de um novo partido", diz o deputado do PP à Sputnik Brasil. "Os espaços vão ser realocados, o partido deixa de ser o maior e consequentemente aqueles que tem mais peso político vão buscar ocupar o espaço."

O deputado também destaca que, em um ano em que Bolsonaro precisará do Congresso para aprovar projetos de reforma administrativa e tributária, a coordenação política do Palácio do Planalto deixa a desejar. "O problema de Bolsonaro não é partido, é a condução de articulação política que o Palácio precisa rever. O Palácio não tem habilidade política para a construção desse diálogo como deveria acontecer."

A Aliança pelo Brasil ainda não foi reconhecida pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e dificilmente conseguirá seu registro a tempo das eleições municipais de 2020. 

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