Congresso dos EUA pressiona Trump para renovar acordo de controle de armas nucleares com Rússia

© REUTERS / Kevin LamarquePresidente dos EUA, Donald Trump, em conferência de imprensa no Salão Oval da Casa Branca, em 17 de dezembro de 2019
Presidente dos EUA, Donald Trump, em conferência de imprensa no Salão Oval da Casa Branca, em 17 de dezembro de 2019 - Sputnik Brasil
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Congressistas de ambos os partidos querem que administração Trump prove que "fez a lição de casa" e estimou custos e reações de Rússia e China, caso os Estados Unidos não renovem o acordo de controle de armas nucleares Novo START.

As demandas, incluídas em três projetos de lei distintos que devem ser harmonizados nesta semana, coloca em dúvida a avaliação da administração Trump acerca das possíveis reações de Rússia e China, caso os EUA não renovem o acordo, que expira em fevereiro de 2021.

O Tratado de Redução de Armas Estratégicas, conhecido como Novo START, estipulou teto para a instalação de armas nucleares de Rússia e EUA de 1.500 ogivas por país, a maior redução da história. O acordo pode ser renovado por mais cinco anos, mas, enquanto Moscou apoia a extensão imediata do tratado, Washington ainda considera o assunto.

O presidente dos EUA, Donald Trump, acredita que o acordo não abarca todos as classes de armamentos russos e manifestou desejo de incluir a China nos acordos de redução de armamentos nucleares. No entanto, a possibilidade de incluir a China neste tipo de acordo é muito reduzida, consideraram analistas ouvidos pela Reuters.

O arsenal nuclear de Pequim é significativamente menor do que o de Moscou e Washington. Estimativas da Federação dos Cientistas Americanos apontam que a China possua cerca de 300 ogivas nucleares, enquanto Rússia e EUA concentram mais de 6.000, sejam mobilizadas, armazenadas ou aguardando decomissionamento.

© AP Photo / Dmitry LovetskyUrânio retirado de armas nucleares russas segue em direção aos EUA para ser utilizado como fonte de energia elétrica, em parceria chamada "Megatons por Megawatts", em 2013
Congresso dos EUA pressiona Trump para renovar acordo de controle de armas nucleares com Rússia - Sputnik Brasil
Urânio retirado de armas nucleares russas segue em direção aos EUA para ser utilizado como fonte de energia elétrica, em parceria chamada "Megatons por Megawatts", em 2013

De acordo com o ex- secretário adjunto de controle de armamentos do Departamento de Estado dos EUA, Thomas Countryman, Pequim não teria incentivos para aderir aos tratados de controle de armamentos de Rússia e EUA.

"Seria possível oferecer à China que aumente seu arsenal para equiparar-se com o de EUA e Rússia, [ou] que EUA e Rússia reduzam os seus para equiparar-se ao arsenal chinês", enumerou Countryman, notando que somente a última opção seria aceitável para os chineses mas, "infelizmente, inaceitável para o Pentágono e para o Kremlin".

Os congressistas norte-americanos temem que a proposta de incluir a China nas negociações seja um instrumento para inviabilizar a extensão do tratado.

"O que nós não queremos é ver a China sendo usada como uma desculpa para destruir o [tratado] existente ou a sua potencial extensão", declarou o senado democrata Jeff Merkley.

Segundo ele, o Novo START é um "tratado com a Rússia que contribuiu para a segurança internacional e muito importante para a nossa sobrevivência".

© REUTERS / Jacquelyn MartinSenador democrata, Jeff Merkley, questiona a inclusão da China nos acordos de controle de armas nucleares (foto de arquivo)
Congresso dos EUA pressiona Trump para renovar acordo de controle de armas nucleares com Rússia - Sputnik Brasil
Senador democrata, Jeff Merkley, questiona a inclusão da China nos acordos de controle de armas nucleares (foto de arquivo)

Coluna no jornal norte-americano Washington Post publicada neste domingo (15) afirmou que Washington deveria aceitar a proposta russa de extensão do acordo, afirmando que o "Novo START é o último dos grandes acordos de controle de armas nucleares ainda em vigor, e deve ser creditado com mais cinco anos".

O acordo Novo START de redução de armas nucleares foi assinado em abril de 2010, pelos então presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev. O acordo reduziu pela metade o número de ogivas nucleares de ambos os países e instituiu sistema de inspeções mútuas.  

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