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'Esse governo não vai nos cansar', diz liderança de caminhoneiros grevistas

© Sputnik / Solon NetoManifestação de caminhoneiros no Rio de Janeiro como parte de mobilização nacional da categoria contra os preços altos dos combustíveis no Brasil.
Manifestação de caminhoneiros no Rio de Janeiro como parte de mobilização nacional da categoria contra os preços altos dos combustíveis no Brasil. - Sputnik Brasil
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Nesta segunda-feira (16), uma paralisação de caminhoneiros foi deflagrada, porém a adesão é menor do que a esperada. Uma liderança do movimento falou à Sputnik Brasil.

O caminhoneiro Marconi França, uma das lideranças dos autônomos da greve, afirmou que no Nordeste há pelo menos 8 pontos de paralisação no momento. França, porém, considera que a mobilização perdeu força devido ao anúncio do Ministério da Infraestrutura de discutir uma reivindicação do movimento. Tal medida teria feito com que muitos caminhoneiros decidissem aguardar a posição do Ministério.

"O fluxo está pequeno ainda, mas começamos e estamos aqui na rodovia [BR 101] falando da nossa insatisfação com esse governo", disse o caminhoneiro em entrevista à Sputnik Brasil.

Os caminhoneiros se posicionam contra o aumento no preço do diesel, que teve 11 altas seguidas no ano, e por melhores condições de trabalho, além de correções nas tabelas de frete que, segundo a liderança, vem sendo desrespeitada.

Petrobras diz que derivados acompanham mercado internacional

Em seu site oficial, a Petrobras justifica as variações nos preços do óleo diesel, gasolina e outros afirmando que “os combustíveis derivados de petróleo são commodities e têm seus preços atrelados aos mercados internacionais, cujas cotações variam diariamente, para cima e para baixo".

"Por isso, a variação dos preços nas refinarias e terminais é importante para que possamos competir de forma eficiente no mercado brasileiro", acrescenta a estatal. 

Para o economista Edmar de Almeida, os caminhoneiros têm motivos para protestar, mas a solução não passa pelo governo impedir os reajustes do diesel, e sim diminuir a carga tributária do produto.

Segundo o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Petrobras acerta ao "manter uma política de alinhamento do preço do diesel no Brasil em relação ao mercado internacional".

Economista sugere diminuir carga tributária

Quando isso não foi feito, alerta o o especialista em óleo e gás, "principalmente entre os anos de 2010 e 2014", a estatal sofreu um "prejuízo de mais de 50 bilhões de dólares e teve o maior endividamento de sua história".

Almeida disse à Sputnik Brasil que os impostos sobre o produto poderiam ser reduzidos. "Infelizmente ocorre o contrário, principalmente no caso dos governos estaduais, que pela pressão fiscal vem aumentando o ICMS cobrado dos derivados", opinou.

"A carga tributária não pode ser a mesma quando o preço do petróleo está muito alto", afirmou.

O caminhoneiro Marconi França, por sua vez afirmou que a categoria já não confia mais no ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que prometeu discutir as reivindicações - o que a liderança dos caminhoneiros chamou de estratégia para desmobilizar os motoristas.

As reivindicações que serão avaliadas são: a implementação de uma multa para quem descumprir a tabela de fretes e a implementação do Código de Identificação da Operação de Transporte (CIOT) para toda a categoria. O CIOT tem como função servir de instrumento para fiscalizar o pagamento do frete de acordo com o preço tabelado.

"A gente não está querendo nada demais, a gente só quer o justo para trabalhar, para a gente continuar levando o que o Brasil produz nas costas", disse.

Segundo França, os caminhoneiros têm sofrido com baixos pagamentos e altos custos nas viagens. Há cerca de 10 dias, a liderança anunciou que 70% dos caminhoneiros autônomos poderiam aderir ao movimento e parar o Brasil na semana anterior ao Natal, como divulgou o site Correio Braziliense através de um vídeo. Nas imagens, França aparece ao lado de lideranças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a quem pediu apoio ao movimento.

"Eu acho que esse governo não tomou ciência da importância que nós caminhoneiros temos para a economia desse Brasil. De nada adianta o agronegócio plantar e produzir, de nada adianta a indústria produzir se nós não distribuirmos o que eles produzem", aponta.

França alerta que caso a adesão siga baixa, os caminhoneiros vão aguardar a posição do governo, mas aponta que a categoria seguirá mobilizada.

"Esse governo não vai nos cansar, nem vai nos enterrar vivos", conclui.
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