Risco de conflito nuclear hoje é maior do que na Guerra Fria, diz ex-chefe do Pentágono

© Foto / Forças Armadas SoviéticasPrimeira explosão nuclear submarina na URSS e a primeira explosão nuclear em Novaya Zemlya, 21 de setembro de 1955
Primeira explosão nuclear submarina na URSS e a primeira explosão nuclear em Novaya Zemlya, 21 de setembro de 1955 - Sputnik Brasil
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A falta de confiança mútua e a ausência de preocupação dos políticos aumentaram hoje o risco de uma guerra nuclear do que na época da Guerra Fria, de acordo com o ex-secretário de Defesa dos EUA, William Perry (1994-1997).
"Estamos à beira de uma nova Guerra Fria [...] O risco de uma guerra nuclear hoje é maior do que durante a Guerra Fria", diz o texto do discurso preparado por Perry para o Fórum Internacional de Luxemburgo para a Prevenção de uma Catástrofe Nuclear.

Ele lembrou que o Relógio do Julgamento Final, também conhecido como Relógio do Apocalipse - um projeto bem conhecido do Boletim de Cientistas Atômicos - fica a dois minutos do fim do mundo, ou seja, da catástrofe nuclear.

Durante a Guerra Fria, essa situação só aconteceu uma vez, em 1953, quando os Estados Unidos e a União Soviética testaram suas respectivas bombas termonucleares.

© Sputnik / Yuri AbramochinSecretário Geral do PC da URSS, MIkhail Gorbachev, e presidente dos EUA, Ronald Reagan, assinam Tratado INF, em dezembro de 1987
Risco de conflito nuclear hoje é maior do que na Guerra Fria, diz ex-chefe do Pentágono - Sputnik Brasil
Secretário Geral do PC da URSS, MIkhail Gorbachev, e presidente dos EUA, Ronald Reagan, assinam Tratado INF, em dezembro de 1987

"Acho que chegamos a essa situação porque os líderes e os povos dos dois países simplesmente não conhecem o perigo que existe em seu caminho, e continuamos a agir de maneira inadequada", avaliou o ex-chefe do Pentágono, que não pôde participar do fórum porque estava doente e pediu que outro participante fizesse seu discurso em Genebra, na Suíça.

Perry disse que, nos últimos 20 anos, os Estados Unidos e a Rússia "se comportaram de maneira irracional", mas agora "não se trata de determinar quem é o culpado, mas de saber como mudar a situação".

No caso dos Estados Unidos, ele apontou, o conceito de "lançamentos preventivos" (golpe de resposta nuclear) deve ser abandonado, os poderes unipessoais do presidente devem ser reduzidos nessa área e o início de uma nova corrida armamentista deve ser evitado.

Perry destacou ainda que o objetivo final é a destruição de todos os arsenais nucleares acumulados no mundo, mas admitiu que isso é "improvável" no futuro próximo.

Na sua opinião, a situação pode ser alterada, fazendo com que essa questão tenha um grande impacto na sociedade e explicando aos cidadãos comuns que a humanidade está "à beira do abismo nuclear".

"Entendo que ninguém pode resolver esse problema sozinho, mas cada um de nós pode tentar. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa", resumiu o ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos.
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