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Economista do Afreximbank: Brasil precisa diversificar relações com a África

© Sputnik / Renan LucioHippolyte Fofack, economista-chefe do Afreximbank, no Fórum Brasil África 2019
Hippolyte Fofack, economista-chefe do Afreximbank, no Fórum Brasil África 2019 - Sputnik Brasil
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Brasil e África têm infinitas oportunidades de parceria. Intensificando e diversificando suas relações, o Brasil pode ajudar o continente a se integrar mais rapidamente à economia global, acredita o economista-chefe do Afreximbank.

Representante do Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank) no Fórum Brasil África 2019, realizado nesta semana em São Paulo, o economista Hippolyte Fofack compartilhou um pouco de sua visão sobre o potencial das relações entre o Brasil e o continente africano, onde ele diz ver infinitas possibilidades de comércio e investimento, seja em áreas como indústria, agricultura, mineração, infraestrutura, construção ou energia.

Em entrevista à Sputnik, ele disse que o Brasil deve permanecer buscando intensificar as trocas com a África, continente onde há hoje uma competição entre potências como China e Estados Unidos.

"A liderança brasileira deve continuar com a política de tentar aprofundar o comércio do Brasil com a África, porque é do interesse do Brasil conseguir isso."

De acordo com o especialista, o Brasil é um país relativamente bem desenvolvido, com uma indústria de base sólida e diversificada. Mas essa diversificação ainda precisa ser melhor aproveitada nas relações com o continente africano.

Atualmente, ele destaca, há essencialmente um comércio baseado principalmente em comida, animais, máquinas, combustível e produtos do setor de transportes. E, além disso, o comércio brasileiro com a África se concentra basicamente em seis países: África do Sul, Angola, Argélia, Egito, Marrocos e Nigéria.

Fofack acredita que a cooperação entre Brasil e África poderia se tornar estrategicamente mais relevante se houvesse uma concentração de esforços para desenvolver a industrialização e as exportações, aumentar o comércio dentro do próprio continente e garantir autossuficiência na produção e no processamento de alimentos. 

​Para ele, é possível pensar, por exemplo, na implantação de um parque industrial brasileiro no continente africano, focado em inovação e desenvolvimento. A experiência brasileira nesse caso poderia acelerar o processo de industrialização da economia africana, em uma parceria mutuamente lucrativa.

Segundo o economista, essa parceria com a África é provavelmente a única que poderia garantir um crescimento econômico sustentável ao Brasil ao longo dos próximos anos e décadas, uma vez que a África permanece como uma das regiões que cresce mais rapidamente no mundo.

"O que o Brasil deve fazer agora é tentar aumentar os investimentos no continente [africano]", afirma.

Brasil, África e mundo árabe, uma cooperação triangular

Compartilhando de algumas ideias de Fofack referentes à diversificação, Tamer Mansour, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, chama a atenção para possibilidades de intensificar essas relações do Brasil com a África envolvendo também outros parceiros, como países árabes não apenas do continente africano, mas também do Oriente Médio, em uma grande cooperação triangular. 

​Também em entrevista à Sputnik Brasil, Mansour destacou a necessidade de o Brasil começar a pensar em parcerias econômicas e comerciais mais estratégicas e inteligentes, focadas em produtos de maior valor agregado. Para isso, é preciso aproveitar melhor as bases das relações que o país já tem, por exemplo, com a África e com o chamado mundo árabe.    

"A África fará um papel muito importante por ter terras férteis, por ter mão de obra barata, por ter uma excelente localização. Os árabes já investem na África. E os brasileiros, com uma indústria grande, podem vir com suas tecnologias, podem vir com suas ideias para estabelecer isso, para ser uma parceria de três ganhando."

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