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Astrônomos encontram 'yeti espacial' dos primórdios do Universo

© Foto / James Josephides/Christina Williams/Ivo LabbeRepresentação artística de como pareceria uma galáxia maciça no estágio inicial da formação do Universo
Representação artística de como pareceria uma galáxia maciça no estágio inicial da formação do Universo - Sputnik Brasil
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Equipe multinacional descobre galáxia extremamente distante e antiga que pode trazer luz à história das mesmas.

Os astrônomos descobriram acidentalmente rastros de uma enorme e muito antiga galáxia que surgiu em um estágio inicial da formação do Universo. Sabe-se há muito tempo que tais objetos deveriam existir, mas nunca puderam ser observados. Os resultados foram publicados na revista científica Astrophysical Journal.

Cientistas dos Estados Unidos, Austrália, Países Baixos, Suíça e Dinamarca repararam em um ponto fraco de luz, antes desconhecido, enquanto observavam o espaço usando o sistema de radiotelescópio ALMA, localizado no deserto chileno de Atacama. Este complexo permite fixar a radiação eletromagnética com comprimentos de onda milimétrico e submilimétrico. Estas ondas são usadas para estudar a formação e evolução das galáxias.

O objeto, na forma de um ponto cintilante borrado, foi encontrado em um comprimento de onda de 3 mm, não sendo visível na gama de ondas longas. Isto sugere que a galáxia descoberta está a uma grande distância e escondida dos observadores por nuvens de poeira.

"Isto é muito misterioso, porque esta luz não estava ligada a nenhuma galáxia conhecida", cita esta quarta-feira (23) o serviço de imprensa da Universidade do Arizona as palavras da autora principal do artigo e a primeira que viu a misteriosa galáxia, Christina C. Williams, do observatório Stuart.

Entendendo a formação das galáxias

Os cientistas estimam que o sinal deste objeto misterioso levou 12,5 bilhões de anos para chegar à Terra. A radiação vista pelos cientistas é provavelmente devida ao brilho de partículas de poeira aquecidas por estrelas nas profundezas de uma galáxia jovem, uma das primeiras a aparecer no Universo primitivo.

Os cientistas acreditam que registraram o momento em que a galáxia já atingiu um tamanho enorme, e as estrelas nessa galáxia não eram menos que na Via Láctea, mas as novas estrelas se formavam cem vezes mais rápido do que está acontecendo em nossa galáxia.

A descoberta ajudará a entender quais os processos que ocorreram em galáxias jovens, e talvez a responder à antiga questão da astronomia sobre como, nos estágios iniciais do desenvolvimento do Universo, apareceram nela aglomerados estelares gigantescos.

O descobrimento é importante por que, embora antes o Hubble tenha registrado galáxias antigas menores, elas não estavam crescendo rápido o suficiente. Outras galáxias monstruosas também foram relatadas anteriormente, mas esses avistamentos foram muito raros para obter uma explicação satisfatória do que estava ocorrendo, relatou nesta quarta-feira (23) o serviço de imprensa da Universidade do Arizona.
"Nossa galáxia monstruosa oculta tem precisamente os ingredientes certos para ser esse elo perdido", diz Christina Williams.

Permanece a questão sobre quantas mais destas galáxias ainda existem. Até agora se realizaram observações apenas em uma pequena parte do céu estrelado, aproximadamente um centésimo da área do disco lunar. O fato de um único objeto espacial de tipo desconhecido ter sido descoberto em uma área tão pequena indica ou uma incrível sorte dos cientistas, ou o fato de que existem muitos desses objetos, mas eles, tal como o yeti, ainda estão escondidos dos cientistas.

Os pesquisadores esperam o lançamento planejado do Telescópio Espacial James Webb, em março de 2021, para estudar esses objetos com mais detalhes.

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