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Economista: acordo Boeing-Embraer é 'lesivo para o Brasil' e UE tem razão em contestá-lo

© Sputnik / Grigory Sysoev / Abrir o banco de imagensAeronave brasileira Embraer 195-E2 Profit Hunter no Salão Aeroespacial Internacional MAKS-2019, nos arredores de Moscou
Aeronave brasileira Embraer 195-E2 Profit Hunter no Salão Aeroespacial Internacional MAKS-2019, nos arredores de Moscou - Sputnik Brasil
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O acordo entre Boeing e Embraer está sob escrutínio da União Europeia (UE), que suspeita que a negociação favoreça concentração de renda. A Sputnik Brasil ouviu um economista sobre essa questão.

Para a União Europeia, o acordo anunciado ainda durante o governo de Michel Temer (MDB), em 2018, pode prejudicar a competitividade internacional. Entre os países cujas empresas poderiam ser prejudicadas estão Rússia, China e Japão.

Na sexta-feira (4), reguladores antitruste da UE abriram uma investigação sobre o acordo entre as duas empresas. Para a Comissão Europeia, o acordo remove a Embraer do mercado e não há concorrentes que possam preencher a lacuna. Segundo a UE, isso reduz a concorrência e pode elevar preços.

A união entre Boeing e Embraer é uma das maiores transações comerciais da década e pode somar de até US$ 4,75 bilhões. A Embraer é líder de mercado em aeronaves civis de médio porte, o que será incorporado à empresa resultante da união com a Boeing.

'Estamos vendendo a Embraer por seis meses de vendas de jatos'

Para analisar a situação do acordo Boeing-Embraer, a Sputnik Brasil ouviu o economista Volney Gouveia, gestor do Curso de Ciências Aeronáuticas da Universidade Municipal de São Caetano do Sul.

Gouveia acredita que, apesar de disputas semelhantes terem ocorrido no mercado anteriormente, esse caso específico de impasse com a União Europeia pode ser justificado. O economista concorda com o argumento europeu de que há tendências de concentração de mercado na união entre as empresas no setor específico das aeronaves de médio porte, e que a questão deve ser discutida na Organização Mundial do Comércio (OMC).

"É compreensível essa ação da União Europeia, até porque a própria Airbus fez um acordo recente com a Bombardier não nos moldes do que foi feito entre Boeing e Embraer", aponta Gouveia em entrevista à Sputnik Brasil.

O economista explica que nesse caso a Bombardier fez uma série de exigências diante da Airbus. Gouveia também afirma que esse exemplo é interessantes porque costuma ser utilizado para justificar o acordo contestado pela UE, que ele considera a "entrega da Embraer para a Boeing".

"Nós temos uma companhia que produz quase 100 aeronaves por ano, uma das maiores empresa competitivas do mundo, que gera reservas internacionais para o país no patamar de 9 bilhões de dólares ao ano. E nós estamos vendendo essa linha da Embraer de jatos comerciais para a Boeing por 4,5 bilhões de dólares. Então nós estamos vendendo a Embraer por seis meses de vendas de jatos que ela realiza no período", afirma.

Para Gouveia, o negócio é "lesivo para o Brasil, não só para Embraer". O economista é ainda categórico ao afirmar que não tem dúvidas de que a Embraer foi dada aos norte-americanos.

O economista entende que essa situação está ocorrendo devido a uma falta de visão estratégica do Brasil.

"Na minha visão há um compromisso mais de curto prazo com os negócios da companhia do que com o projeto do país de se tornar autossuficiente, de se tornar independente tecnologicamente", afirma.

A nova empresa criada a partir da união entre as fabricantes de aeronaves dá controle de 80% dos negócio para a Boeing e 20% para a Embraer, excluindo o setor militar da empresa brasileira. O acordo deve ser concluído em 2020.

"A Boeing passa a controlar em substância todos os projetos estratégicos da Embraer no médio e longo prazo. Objetivamente é isso que nós estamos falando aqui. E nisso aí o Brasil perde protagonismo", explica.

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