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Internações de crianças por problemas respiratórios dobra na Amazônia devido às queimadas

© REUTERS / Amanda PerobelliLote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019
Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019 - Sputnik Brasil
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O número de crianças internadas por problemas respiratórios dobrou nos nove estados da Amazônia Legal, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira (2) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

O balanço foi feito em aproximadamente 100 municípios com objetivo de avaliar o impacto das queimadas na Amazônia.

De acordo com a pesquisa, em maio e junho deste ano foram registradas nessas cidades um total de 5.091 internações por mês, quando o valor esperado seria de 2.589. O resultado sugerem um excesso de 2,5 mil internações de crianças nos municípios mais impactados pelas queimadas. 

Gasto de R$ 1,5 milhão ao SUS

Os piores resultados foram verificados no Pará, Rondônia, Maranhão e Mato Grosso. Segundo o estudo, as hospitalizações geraram um gasto de R$ 1,5 milhão ao Sistema Único de Saúde (SUS). 

A Fiocruz ressalta que viver em cidades próximas a focos de incêndio aumenta em 36% o risco de internação por problemas respiratórios, como bronquite, alergia e asma, por exemplo. 

O levantamento aponta ainda que em cinco dos nove estados da região houve aumento na morte de crianças hospitalizadas por problemas respiratórios. Em Rondônia, entre janeiro e julho de 2019, ocorreram 393 mortes a cada 100 mil crianças com menos de 10 anos, contra 287 mortes no mesmo período do ano passado. 

 Em Roraima, 2.398 crianças a cada 100 mil morreram internadas por problemas respiratórios no primeiro semestre de 2019, ante 1.427 no mesmo período de 2018. 

“As queimadas na Amazônia representam um grande risco à saúde da população”, diz o estudo. O pesquisador da Fiocruz Christovam Barcellos explica que as crianças "são mais sensíveis a fatores externos, como a poluição", e seu "sistema imunológico ainda está em desenvolvimento". 

Mesmo assim, adultos, principalmente aqueles com doenças crônicas e idosos, podem ser afetados pela poluição das queimadas.

Resíduo tóxico pode viajar centenas de quilômetros 

Em algumas cidades próximas aos focos de incêndio o número de internações foi mais de cinco vezes maior do que o esperado. Mas o chamado "material particulado" - resíduo tóxico gerado por queima - pode alcançar grandes cidades situadas a centenas de quilômetros dos focos de queimadas, devido ao transporte de poluentes pelos ventos. 

"Os poluentes emitidos por estas queimadas podem ser transportados a grande distância, alcançando cidades distantes dos focos de queimadas. Dentre os poluentes, encontram-se o material particulado fino, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis que podem causar o agravamento de quadros de cardiopatia, inflamação das vias aéreas, inflamação sistêmica e neuroinflamação, disfunção endotelial, coagulação, aterosclerose, alteração do sistema nervoso autônomo, e danos ao DNA, com potencial carcinogênico", afirma a pesquisa. 

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