Venezuela pede a Trump que reinicie um processo de diálogo com Maduro

© REUTERS / Marco BelloDelcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela (arquivo)
Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela (arquivo) - Sputnik Brasil
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O governo venezuelano afirmou nesta quarta-feira que os EUA falharam em seus supostos planos de derrubar o presidente Nicolás Maduro e, portanto, considera que o único caminho que resta ao presidente dos EUA, Donald Trump, é iniciar um processo de diálogo e negociação com Caracas.

A vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez disse que as autoridades venezuelanas esperam que o governo dos Estados Unidos "tenha remorso, recupere canais diplomáticos e dialogue com o governo" de Maduro.

"Não há outro jeito, eles falharam. Seus projetos falharam em derrotar o governo legítimo e constitucional da Venezuela", comentou Rodriguez em declarações à imprensa após um ato em que o líder religioso e ex-candidato à presidência Javier Bertucci assinou um acordo firmado por um grupo de partidos minoritários da oposição e pelo governo Maduro.

O documento foi assinado na segunda-feira sem incluir o líder da oposição Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como o legítimo presidente do país, incluindo os Estados Unidos.

Guaidó - que também atua como presidente da Assembleia Nacional, dominada pela oposição - se declarou presidente interino em janeiro, argumentando que a reeleição de Maduro em 2018 era fraudulenta. Bertucci ficou em terceiro lugar nessa polêmica eleição e reconheceu os resultados ao contrário do candidato Henry Falcón, que estava em segundo lugar.

Série de desencontros e fracassos

Depois que Washington reconheceu Guaidó como o legítimo presidente da Venezuela, Maduro rompeu laços e ordenou o retorno dos Estados Unidos a todo o seu pessoal diplomático. O Departamento de Estado também retirou sua equipe em Caracas. Desde 2010, os dois países estão sem embaixador.

© AP Photo / Fernando LlanoLíder da oposição venezuelana e presidente autoproclamado, Juan Guaidó, fala com os apoiadores perto da base aérea La Carlota, em Caracas
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Líder da oposição venezuelana e presidente autoproclamado, Juan Guaidó, fala com os apoiadores perto da base aérea La Carlota, em Caracas

Para pressionar a saída do poder de Maduro, os Estados Unidos aplicaram uma série de sanções, incluindo as impostas à corporação estatal Petróleos de Venezuela S/A (PDVSA), a principal fonte de câmbio do país, outras para o próprio Maduro, colaboradores mais próximos e uma série de empresários acusados ​​de fazer parte de uma ampla trama de corrupção.

O novo processo de negociações com grupos minoritários da oposição, entretanto, foi anunciado apenas um dia depois que Guaidó desistiu do "diálogo" promovido pela Noruega, que vinha se desenvolvendo desde julho na ilha caribenha de Barbados.

Esse mecanismo de negociação foi deixado no limbo depois que Maduro ordenou a retirada de sua delegação no início de agosto, em rejeição às sanções impostas por Washington para congelar os ativos do governo venezuelano nos Estados Unidos e proibiu os americanos de fazer negócios com Caracas.

Muitos olham com cautela para a nova rodada de negociações e alertam que, com a exclusão de Guaidó e dos principais partidos da oposição, as tensões políticas poderão aumentar e, mais uma vez, remover a possibilidade de uma saída negociada para a grave crise do país.

O governo Maduro, no entanto, está otimista. "Esta negociação é muito importante, não precisamos de nenhum tipo de interferência, podemos resolver nossos problemas", completou a vice-presidente Rodriguez.

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