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Novo projeto do Pentágono: quem os EUA estão planejando combater debaixo da terra?

© AP Photo / Visar KryeziuMilitares dos EUA durante treinamentos (foto de arquivo)
Militares dos EUA durante treinamentos (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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Os estadunidenses estão planejando combater debaixo da terra. Há alguns dias a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA) colocou uma encomenda no site de concursos públicos para instalações subterrâneas espaçosas.

De acordo com o documento, a competência para realizar operações de combate em tuneis de infraestruturas urbanas e industriais e em cavernas naturais é cada vez mais importante para assegurar a segurança global.

Guerra em megalópoles

A requisição destaca que os especialistas da DARPA estão interessados em tecnologias inovadoras que permitam mapear rapidamente grandes infraestruturas subterrâneas e se orientar nelas sem correr riscos de vida. A entidade está procurando estruturas apropriadas para as suas pesquisas.

Sua prioridade inclui construções subterrâneas com extensão de várias quadras urbanas com estruturas complexas e que tenham vários níveis, átrios, tuneis e escadarias.

Espaços que não sejam acessíveis aos pedestres ou infraestrutura cujo acesso pode ser temporariamente restringido despertam particular atenção.

O sistema de posicionamento global (GPS), sem o qual hoje em dia nenhuma grande operação do Pentágono pode ser imaginada, pode falhar nas referidas localidades. O mesmo se pode dizer dos meios de radiocomunicações militares, os quais em áreas densamente povoadas recebem muita interferência dos arranha-céus.

Entretanto o metrô, por exemplo, teria que ser conquistado ao inimigo praticamente às cegas, sendo que a comunicação debaixo da terra funciona muito pior que na superfície, a navegação por satélite está totalmente indisponível e nem sempre há acesso a mapas com a infraestrutura subterrânea.

A edição norte-americana Popular Mechanics escrevia no ano passado que os militares dos EUA teriam que lidar, possivelmente, com as estruturas subterrâneas da Coreia do Norte, onde estão armazenadas as armas nucleares e onde a liderança norte-coreana iria se abrigar em caso de guerra.

© Sputnik / Ilya Pitalev / Abrir o banco de imagensSoldado na entrada da mina de testes nucleares № 2 do polígono nuclear norte-coreano
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Soldado na entrada da mina de testes nucleares № 2 do polígono nuclear norte-coreano

De acordo com o Pentágono, na Coreia do Norte existem entre 6 a 8 mil refúgios deste tipo interligados por uma rede complexa de tuneis. A edição destaca que os EUA e a Coreia do Sul não têm a mínima ideia sobre como estão concebidos estes tuneis subterrâneos, cheios de becos sem saída, poços verticais e espaços estreitos. Estruturas deste tipo são muito perigosas de pesquisar, pois o inimigo pode montar emboscadas com muita facilidade.

Robôs subterrâneos

Neste momento a DARPA necessita de infraestruturas mais complexas. Construções subterrâneas urbanas existem em cada megalópole. O inimigo pode utilizá-las para deslocar rapidamente suas tropas, para se esconder de ataques, tanto aéreos como de artilharia, para organizar emboscadas e para realizar ações de guerrilha.

Experiência vietnamita

A relutância dos estadunidenses de irem eles mesmos para debaixo da terra é bastante compreensível. Durante a guerra no Vietnã, as Forças Armadas dos EUA tiveram que lidar com o desenvolvido sistema de comunicações subterrâneas que era usado pelos guerrilheiros e pelo exército norte-vietnamita. Normalmente os tuneis tinham vários níveis, espaços bastante amplos estavam interligados por corredores estreitos.

A existência de uma extensa rede de tuneis subterrâneos permitia aos vietcongues transferir suas tropas furtivamente e aparecer nos lugares onde eram menos esperados.

© AP PhotoSargento das Forças Armadas dos EUA saindo de túnel no Vietnã. Janeiro de 1967
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Sargento das Forças Armadas dos EUA saindo de túnel no Vietnã. Janeiro de 1967

Para destruir esta rede de tuneis o comando dos EUA criou unidades especiais de "ratazanas dos tuneis". As unidades eram formadas por voluntários magros, de baixa estatura e com um sistema nervoso robusto.

As principais funções destas unidades era penetrar dentro dos tuneis descobertos, sua destruição, busca de documentos importantes, entre outras.

Às vezes os guerrilheiros usavam escorpiões e cobras peçonhentas, bem como grande quantidade de armadilhas. Para além disso, a permanência prolongada debaixo da terra era muito difícil psicologicamente, poucos militares tinham capacidades de lidar com estas condições. Não é de estranhar que as perdas entre as "ratazanas dos tuneis" eram enormes.

Unidades semelhantes estão combatendo agora no Exército sírio. Os terroristas do Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em vários outros países), e de outras organizações conseguiram transformar muitas cidades em verdadeiras fortalezas. Muita atenção foi prestada às comunicações subterrâneas.

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