Onde quase não há vida: conheça '4 Martes' da Terra e seus mistérios

© AFP 2022 / Martin BernettiObservatório Europeu do Sul no deserto de Atacama, cerca de 600 quilômetros ao norte de Santiago
Observatório Europeu do Sul no deserto de Atacama, cerca de 600 quilômetros ao norte de Santiago - Sputnik Brasil
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Os lugares da Terra que têm condições extremamente severas têm sido considerados por muito tempo de inabitáveis. Lá estão sendo realizados os testes dos equipamentos que serão usados para os trabalhos em Marte, mas mesmo lá os cientistas encontram vestígios de vida.

Equipamentos para trabalhos em Marte estão sendo testados nos lugares mais severos da Terra, nos desertos de Atacama no Chile e na ilha de Ross no Antártico. Por muito tempo tem sido considerado que esses lugares da Terra não têm vida. No entanto, graças aos métodos modernos foi possível encontrar lá vestígios de microrganismos.

Isso fez os cientistas rever a opinião sobre as condições em que a vida é possível.

Cidade Perdida

No fim do ano de 2000, uma expedição norte-americana, usando aparelhos subaquáticos, encontrou no fundo do Atlântico certas "construções". Torres brancas enormes de uma altura de 60 metros se elevam sobre as montanhas perto da crista oceânica do Atlântico. O lugar extraordinário foi chamado de Cidade Perdida.

Os cientistas calcularam que a cidade está em fase ativa nos últimos 30 mil anos e que já existe por 120 mil anos. Apesar das condições extremas, nas fontes quentes hidrotermais, à profundidade de um quilômetro, na escuridão completa, vivem microrganismos e até invertebrados de águas profundas.

É possível que haja algo parecido em um satélite do Saturno, Encélado. O aparelho orbital Cassini tirou fotos de fontes na sua superfície rompendo a capa de gelo do satélite.

© Foto / NASA/JPL/Instituto de Ciência EspacialSaturno capturado pela sonda Cassini
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Saturno capturado pela sonda Cassini

As emissões no Encélado, segundo pesquisas, continham partículas de silício, amônia, gás carbónico, metano e também muito hidrogénio molecular – tal como nas fontes hidrotermais da Cidade Perdida.

O Encélade está coberto de uma couraça de gelo de 40 quilômetros, através da qual a luz do Sol não penetra. Mas, se sob a couraça existir um oceano líquido com fontes quentes, como há na Cidade Perdida, lá também podem existir microrganismos.

María Helena meridional

A região mais seca do planeta está localizada ao longo da costa ocidental da América do Sul – é o deserto de Atacama.

Por muito tempo os cientistas consideraram Yungay como o lugar mais severo, lá a NASA testa o equipamento para futuras missões a Marte.

Mas em 2014 uma equipe, liderada pelo astrobiólogo chileno Armando Azua-Bustos, analisou todas as regiões da Atacama e descobriu que o lugar mais seco, conforme três parâmetros, tais como falta regular de chuvas e névoas e existência de ventos fortes, é um lugar no sul da cidade chilena de María Helena.

© AFP 2022 / Ralph BennettDeserto de Atacama, cerca de 600 quilômetros ao norte de Santiago
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Deserto de Atacama, cerca de 600 quilômetros ao norte de Santiago

O lugar fica à altitude de 3.000 metros sobre o nível do mar e lá não houve chuvas durante os últimos 400 anos. A temperatura na superfície sobe até 60 graus Celsius.

À profundidade de um metro a área ainda é mais seca, a humidade média lá é só de 14%. Mas mesmo lá os cientistas encontraram vestígios de DNA de cinco tipos de microrganismos.

Os cientistas acham que María Helena é o análogo mais próximo de Marte. Até hoje, os cientistas consideravam este planeta como seco demais para abrigar vida, mas descobrimentos futuros no deserto de Atacama podem fazer mudar esta opinião.

Vales secos de McMurdo

Na Antártida também há um lugar muito parecido, em certas condições, com os regolitos frios de Marte – são os vales secos de McMurdo na extremidade do continente. Não é por acaso que a NASA testou lá, no deserto da ilha de Ross, os aparelhos Viking para a missão a Marte.

© AFP 2022 / Mark RalstonVales de McMurdo, Nova Zelândia
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Vales de McMurdo, Nova Zelândia

Os vales secos da Antártida têm pouca precipitação atmosférica líquida, o gelo e a neve são soprados daí pelos ventos fortíssimos, é por isso que a terra está sempre pelada. No entanto, nas correntes de água sazonais que escorrem das encostas os pesquisadores encontraram microrganismos.

Essas correntes são parecidas com as estruturas visíveis nas imagens da superfície de Marte. Os cientistas ainda não estão seguros que sejam as mesmas estruturas, mas se fosse assim, a possibilidade de encontrar a vida no Planeta Vermelho seria cada vez mais forte.

Fontes quentes de Hokkaido

De todos os planetas do Sistema Solar, Vénus é o mais parecido com a Terra por seus parâmetros físicos. Contudo, este é o último lugar onde se poderia encontrar vida. Na superfície do planeta a temperatura é de 500 graus Celsius, a pressão é de 90 atmosferas – a mesma que no fundo do oceano.

Cientistas acreditam que Vênus e a Terra se formaram como planetas idênticos, é possível que a vida tenha surgido em ambos os planetas, mas depois Vênus teria perdido toda a água e se tornou inabitável. Mas os microrganismos mais resistentes poderiam se "abrigar" nas nuvens de vapor de água, saturado de ácido sulfúrico, em uma altitude de 50 quilômetros.

Nessas condições podem habitar microrganismos do tipo Picrophilus, que são encontrados nas fontes quentes da ilha de Hokkaido, no Japão.

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