Possível vitória de Fernández não afeta acordo Mercosul-UE, diz especialista

© REUTERS / Agustin MarcarianAlberto Fernández, candidato à Presidência da Argentina
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Após quatro anos no governo, Maurício Macri corre o risco de não ter sua continuidade garantida pelas urnas, isso porque neste domingo (11) a chapa composta por Alberto Fernández e Cristina Kirchner, sua vice, conseguiram a vitória nas primárias argentinas e chegam como favoritos para as eleições presidenciais que vão acontecer em outubro.

Alberto Fernández recebeu 47% dos votos no pleito, contra 32% de Mauricio Macri. Diferença de quase 15 pontos percentuais.

A possível vitória de Alberto Fernández gerou temores sobre o futuro do acordo de livre-comércio firmado em julho entre Mercosul e a União Europeia. Durante a campanha, Fernández afirmou que o tratado fechado com a União Europeia, que prevê o fim de tarifas de importação para boa parte dos produtos em até 15 anos, precisaria ser revisto. Segundo o candidato, o acordo condenará a Argentina à “desindustrialização” e só foi fechado porque Macri tinha motivações eleitorais.

Porém, em entrevista à Sputnik Brasil, Welber Barral, secretário de Comércio Exterior nos governos Lula e Dilma Rousseff, disse que seja qual for a posição de Fernandez não afetará o andamento do acordo.

"Esse acordo tem uma cláusula muito interessante, o acordo prevê que os países do Mercosul poderão ratificar individualmente a sua participação no acordo. Se por acaso a Argentina atrasar a retificação, o Brasil, Paraguai e Uruguai poderão acelerar independentemente do voto argentino, ou seja, o Brasil poderá ratificar o acordo com a União Europeia independentemente dos demais membros do Mercosul", explicou.

Barral disse que esse tipo de cláusula não é comum no Mercosul.

"Não é comum em acordos internacionais que o Mercosul assina e que protege a evolução do acordo independentemente da eleição na Argentina", comentou.

Barral alertou, no entanto, que a maior barreira para o acordo Mercosul e União Europeia é a própria política de Jair Bolsonaro.

"O que compromete mais a continuidade do acordo é mais a questão das posições que o Brasil tem adotado na área ambiental", afirmou.

Welber Barral comentou que, apesar do acordo entre União Europeia e Mercosul conseguir ser tramitado, a relação comercial entre Brasil e Argentina pode ser abalada.

"Embora não dependamos da posição argentina para ratificar este acordo, evidentemente um governo peronista tende a ser mais protecionista do que foi o governo Macri. Adotando medidas de barreiras não-tarifárias, licenças de importação, declarações juradas que atrapalharam muito o comércio-bilateral com o Brasil. Esse risco existe, especialmente sendo a Argentina um dos principais destinos de exportações brasileiras", complementou.

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